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Edição sexta-feira , 20 de julho de 2018.

Desaforamento do júri dos quatro acusados pela morte do menino Bernardo



Fotos Camera Press

Imagem da Matéria

Os quatro acusados estão presos: o casal Leandro e Graciele; Edelvânia e Evandro

A juíza Sucliene Engler Werle, da Vara Judicial da Comarca de Três Passos (RS) solicitou na data de hoje autorização para que o julgamento dos quatro réus que respondem pelo homicídio de Bernardo Uglione Boldrini ocorra em Porto Alegre. O pedido foi feito, de ofício, pela magistrada ao presidente do TJRS, Carlos Eduardo Zietlow Duro. O caso deverá ser decidido por um dos quatro grupos criminais da corte gaúcha.

Bernardo Uglione Boldrini, na época com 11 anos, desapareceu em 4 de abril de 2014, em Três Passos. Seu corpo foi encontrado na noite de 14 do mesmo mês, dentro de um saco plástico e enterrado em uma cova vertical, às margens de um rio em Frederico Westphalen.

A morte do menino causou grande comoção, tendo repercussão internacional. Os pedidos de punição dos culpados seguem ocorrendo na cidade onde ele morava, em vários saites e nas redes sociais.

No entendimento da magistrada, “o desaforamento é medida necessária para garantir o interesse da ordem pública, a imparcialidade do júri e a segurança pessoal dos acusados”. A juíza menciona que a casa onde Bernardo morava segue sob vigília, com fotos, flores, cartazes e dizeres referentes à sua morte.

Quando os réus são levados à cidade de Três Passos para algum ato processual, trafega na cidade um carro de som que, em alto volume, reproduz a voz do menino gritando por socorro.

Assim, na avaliação da juíza, "não há como identificar se algum dos possíveis jurados, que serão sorteados na sessão plenária, não participou das manifestações anteriormente realizadas na cidade; não tenha se manifestado nas redes sociais sobre o fato ou que tenha algum vínculo com as pessoas ouvidas na fase inquisitorial e processual, o que causa a dúvida sobre a imparcialidade do júri”.

Além disso, a juíza pontua que a estrutura do Foro de Três Passos é modesta para comportar um júri de grande proporção. Citou, por exemplo, o salão do júri, que comporta 50 pessoas sentadas.

Outros detalhes

Depois da decisão do STJ, que negou recurso de Leandro Boldrini, e após a preclusão da sentença de pronúncia, os autos do processo retornaram para a comarca de Três Passos. As defesas apresentaram os pedidos de diligências e, ao todo, 28 testemunhas deverão ser ouvidas no tribunal do júri.

Quatro réus respondem às seguintes acusações:

  Leandro Boldrini - homicídio quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica;

  Graciele Ugulini - homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver;

  Edelvânia Wirganovicz - homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver;

  Evandro Wirganovicz - homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
(Processo n° 21400007048 – com informações do TJRS).


Comentários

Joao Carlos Mariense Escobar - Advogado 26.06.18 | 10:42:32

Penso que não deveria haver desaforamento. O princípio moral do júri é o julgamento dos fatos pela sociedade envolvida/atingida, nada mais!

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