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Edição de sexta-feira , 21 de setembro de 2018.

O rachão do Supremo



Charge Humor Político

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Em inspirada matéria de página inteira, o jornalista Diego Escosteguy apresentou esta semana, em O Globo, uma análise – tal qual time de futebol – dos onze ministros do Supremo e resumiu que “se eles formassem uma seleção da Copa do Mundo, teriam caído na primeira fase da competição”.

Vale a pena – como aperitivo para que o leitor procure o texto inteiro na internet – sintetizar a análise feita sobre os craques (ou nem tanto) que se dizem juristas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

· Gilmar Mendes - Goleiro, um gigante, nenhuma bola do Ministério Público passa por ele - venha de Curitiba, venha do Rio, venha de São Paulo. Espalma sempre para a defesa. Acredita estar salvando o time com suas atuações. Muito criticado pela torcida.

· Ricardo Lewandowski - Beque das antigas, tira a bola dos procuradores sem dar carrinho, com muita data vênia. Dá cobertura quando Toffoli erra no meio e impede os avanços do MP antes que cheguem a Gilmar. Atuações sólidas e regulares desde o julgamento do mensalão. Não falha.

· Marco Aurélio - Lateral-esquerda. Joga sozinho e perde bastante a bola, mas nunca sai do time. Às vezes, é solidário com a defesa: revogou um dos quatro mandados de prisão de Eduardo Cunha recentemente. Atua isolado na 1ª Turma, onde não consegue conter as investidas de um ataque forte.

· Rosa Weber – Discretíssima, sempre joga para o time, mesmo quando discorda do esquema tático. No julgamento do habeas corpus que poderia impedir a prisão do ex-presidente Lula, recorreu mais uma vez ao senso de coletividade. Sacrificou seu entendimento pessoal sobre a prisão após a segunda instância (é contra) para manter a unidade do time, que já havia votado três vezes a favor da medida.

· Alexandre de Moraes - Lateral-direito. Subiu há pouco das categorias de base e ainda enfrenta a desconfiança da torcida. Por enquanto tem apoiado bem o ataque, como no caso do HC de Lula. Mas muitos no time acreditam que, com o tempo, ele deve se deslocar para a defesa.

· Dias Toffoli - Volante. Seu jogo só cresce desde que entrou no time, no julgamento do mensalão. É o que mais ajuda a defesa - um Casemiro dos advogados. Dificilmente um passe de ataque do MP passa por ele. Tem repertório criativo para o desarme. Não faz muito, tirou a bola de dentro do gol para soltar José Dirceu: concedeu habeas corpus de ofício, sem ser provocado - um expediente raro e questionável, no qual foi apoiado por Gilmar e Lewandowski. Como não há árbitro de vídeo na 2ª Turma, o MP ficou no prejuízo. Suas atuações recentes serão premiadas com a braçadeira de capitão em setembro, quando vira presidente do tribunal.

· Celso de Mello - Meia, jogador mais experiente do time, procura dar tranquilidade ao conjunto. Ocupa há 25 anos a mesma posição. Volta às vezes para ajudar a defesa, mas não perdeu a vocação de gol, como se viu nos primeiros julgamentos da Lava Jato, em junho. Votou pela condenação de dois parlamentares. Joga limpo.

· Cármen Lucia - Meia, atual capitã. Perdeu o controle do vestiário após atuações instáveis contra PT, PSDB e PMDB, nos últimos meses. Marco Aurélio reclamou que ela está prendendo, desde dezembro, a bola da prisão em segunda instância - aquela que, se rolar novamente no campo do Supremo, pode resultar na soltura de Lula e outros condenados na Lava Jato.

· Barroso - Entrou há pouco no time, mas já conquistou amplo espaço. Tem ótimo passe e tabela bem com Fux e Fachin. Enfrenta sem medo qualquer defesa - até a do presidente Michel Temer, no inquérito dos portos. Companheiros de time reclamam que ele joga para a torcida, não para o coletivo. Peitou o goleiro Gilmar em público, o que ajudou a rachar o time.

Fux - Ponta-direita. Mata no peito, como bem sabe o PT. Organiza o ataque junto a Barroso e Fachin, na 1ª Turma. Fala bastante, dentro e fora de campo. Como seus colegas de ataque, atua em sintonia frequente com o MP - estilo de jogo que provoca críticas da defesa, que cobra - dos três - distância e independência em relação aos procuradores.

· Fachin - Tem vocação para a defesa, mas acabou improvisado na linha de frente. Tomou gosto pelo gol. Contudo, enfrenta cada vez mais dificuldades para jogar no campo adversário, na 2ª Turma. Perdeu gols à esquerda e à direita na semana passada. Até setembro, enquanto Toffoli estiver na 2ª Turma, não chutará mais ao gol. Só dará balõezinhos rumo ao plenário, onde joga em casa.

Nas arquibancadas das redes sociais, muitos voltaram a pedir a saída da metade do time titular – que, não raro, muda o resultado no tapetão.

Para ler a íntegra de “O rachão do Supremo”, diretamente em O Globo, clique aqui.


Comentários

Bernadete Kurtz - Advogada 06.07.18 | 12:52:21

Excelente! Inteligente, crîtico e correspondente à realidade!

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