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Edição sexta-feira , 20 de julho de 2018.

A primeira sessão do TRF-4 depois do “solta e prende” de domingo



Foto de Filipe Strazzer (Google Imagens)

Imagem da Matéria

Olhares vagos e distantes - Favreto (mirando ao celular) é o do centro, a duas cadeiras à direita de Leandro Paulsen (bem à direita, na foto), presidente da 8ª Turma, que julga a Lava Jato no TRF-4.

O primeiro encontro – oficial e protocolar, é claro - dos três desembargadores do TRF da 4ª Região participantes da batalha jurídica do último domingo (8) foi marcado por desconforto e olhares vagos, distantes e/ou de indiferença. Os membros da corte participaram ontem (9) da cerimônia de posse do desembargador catarinense Osni Cardoso Filho.

O presidente do TRF-4, Carlos Eduardo Thompson Flores, que comandou o evento, foi o primeiro a entrar na grande sala de sessões. Em seguida, Rogério Favreto - que concedeu a liminar para soltar Lula – entrou, sentou-se e ocupou muito tempo olhando para o seu celular.

O desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Lava-Jato e contrário à soltura do petista, foi o último a entrar entre os 27 desembargadores. Ele recém havia proferido a decisão de manter a prisão do ex-presidente (leia matéria nesta mesma edição do Espaço Vital). Estava sorridente.

Thompson e Gebran não cumprimentaram Favreto. Após o encerramento da solenidade, Favreto saiu do plenário conversando com alguns colegas. Logo depois, Thompson Flores deixou a sala.

Na saída, Favreto conversou com o advogado catarinense Márcio Vicari. Segundo a “rádio-corredor” da OAB-RS – repercutindo observações colhidas na cerimônia – Favreto teria confidenciado a pessoas mais próximas “a necessidade de trocar o número de seu celular e de seu telefone residencial convencional” – como cautela após ameaças e trotes propagados a partir de domingo à tardinha. Também teria dito a um colega sobre sua intenção de “procurar a polícia”.

O presidente Thompson Flores e o relator Gebran cumprimentaram o novo colega Osni, após o encerramento da solenidade e deixaram o saguão do tribunal. Favreto saiu por último e entrou direto nos elevadores dos magistrados. Orientado pela assessoria de imprensa da corte, não parou para dar entrevista.

Advogados comentavam “delicadas sutilezas” escritas em duas das decisões dominicais. A de Gebran, ao manter Lula preso, referindo que o plantonista Favreto fora induzido em erro”  pelos advogados impetrantes; a resposta escrita imediata de Favreto, afirmando “não ter sido induzido em erro”, mas concedendo a soltura ao ex-presidente com base em “fato novo”.

Detalhes sobre os discursos

 Durante a cerimônia, o primeiro a discursar foi o desembargador Rômulo Pizzolatti, que deu as boas-vindas ao novo colega Osni. O mal-estar entre os colegas de toga em função do controvertido plantão dominical não foi mencionado, nem mesmo de forma indireta.

 O presidente Thompson Flores estava encaminhando o término de sua manifestação quando, de forma velada, abordou o longo domingo: “A cordialidade é uma de suas características principais do nosso novo desembargador Cardoso Filho. Aliás, a cordialidade é fundamental para o nosso trabalho e deve permanecer neste tribunal”.

 Osni Cardoso Filho, que se classificou para atuar em uma turma previdenciária, nenhuma participação jurisdicional terá nos processos da Lava-Jato. Ele não tratou, em seu discurso, sobre os fatos de domingo. Mas foi enfático em entrevista após a cerimônia: “Não é possível convivermos em ambiente de discórdia, de conflito. Temos de acabar com isto! E dentro do Poder Judiciário mais ainda é essencial que haja um bom convívio entre os pares e entre os servidores”.


Comentários

Claudio Garcia - Advogado E Coronel Da Reserva (b.m.) 16.07.18 | 16:06:08
Não tenho a certeza, mas gostaríamos de saber, qual a posição da OAB sobre a postura desse Desembargador e também sobre a indicação para o quinto constitucional de advogados militantes em partidos políticos.
Osvaldo A Dalla Nora - Advogado 13.07.18 | 11:56:32
Tribunais se transformaram em instrumento político... de uma só facção que parece ter somente ela o direito de opinar... aos outros... se ousarem.. devem ser calados a força...este incidente mostrou realmente que o Judiciário se transformou em um instrumento para afastar um candidato 'na marra' pois a facção que manda não pode com ele
Eliel Valesio Karkles - Advogado 10.07.18 | 09:49:55

Este desembargador (ex-petista... ou um petista no TRF-4), chegou ao tribunal através da OAB com uma vergonhosa INDICAÇÃO política. Por sua vez a OAB fica calada, como se não tivesse "culpa" no enredo. Vergonhoso!

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