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Edição de sexta-feira, 19 de outubro de 2018.
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Os partidos políticos e “O Homem Que Calculava”



Arte EV sobre foto Google Imagens

Imagem da Matéria

PRIMEIRO PONTO - Quem já leu “O Homem Que Calculava”, aprendeu que a matemática deve ser utilizada para o bem, como ciência que é.

Uma das histórias mais repetidas é a dos 35 camelos. Beremiz, o homem que calculava, em viagem para Bagdá, encontrou outro viajante que tinha como seu apenas o camelo que lhe servia de transporte. Ao descansarem em um oásis, encontraram três irmãos que discutiam entre si ferozmente.

Indagados, responderam que tinham nas mãos um problema insolúvel: o pai lhes deixara como herança 35 camelos, que deveriam ser divididos da seguinte forma: metade para o filho mais velho, 1/3 para o filho do meio; 1/9 para o filho mais novo.

Contando e recontando, a única solução a que chegavam é que teriam que matar alguns camelos para a correta divisão, ficando 17 e uma parte de camelo para o mais velho; 11 e uma parte de camelo para o filho do meio e 3 e uma parte de camelo para o caçula.

Beremiz, tomando o camelo de seu companheiro de viagem, fez a divisão de 36 camelos, tocando 18 para o filho mais velho; 12 para o filho do meio e 4 para o mais jovem, restabelecendo a alegria e a paz familiar. Como a divisão somou o total de 34 camelos, devolveu um camelo para o seu dono e ainda lhe retribuiu mais um camelo por ter ajudado na disputa.

SEGUNDO PONTO - Já tive a oportunidade, aqui no Espaço Vital, de escrever sobre o FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), dinheiro do povo que sustentará as campanhas eleitorais de 2018. Cada agremiação partidária receberá uma determinada cota deste Fundo, dela devendo prestar contas à Justiça Eleitoral.

O TSE, em resposta a uma consulta realizada, determinou que 30% dos valores recebidos deve ser destinada à campanha das candidatas femininas, como exercício de ação afirmativa com vistas à maior representação do gênero feminino, tradicionalmente escamoteado da disputa eleitoral. Não fixou, porém, como aplicar este percentual, deixando uma lacuna que ainda vai dar o que falar no curso das eleições. Por certo, em respeito à autonomia da organização interna de cada Partido.

Já estão sendo publicados, pelas agremiações, os critérios como pretendem distribuir tais verbas públicas, especialmente quanto aos 30% determinado pela Justiça Eleitoral às candidaturas femininas. Alguns, depois de separar o valor destinado às campanhas majoritárias, distribuíram o remanescente para as candidaturas aos pleitos proporcionais, onde vigora a chamada “cota de gênero”, resguardando que deste total 30% serão distribuídos entre as candidatas de gênero feminino, remanescendo os demais 70% aos candidatos de gênero masculino.

Outros, porém, estão destinando os 30% do total recebido às candidaturas majoritárias, onde o gênero é o que menos releva, pois o partido lança apenas um(a) candidato(a) para este ou aquele cargo majoritário.

Mais uma vez, por este critério, as candidatas às vagas proporcionais ficarão à deriva do processo eleitoral por falta de recursos.

Um jeito de cumprir a lei, descumprindo sua finalidade. Faltou, a esses, a leitura do “Homem Que Calculava”!
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Nota do editor

O Homem que Calculava” é um romance infanto-juvenil do fictício escritor Malba Tahan que narra as aventuras e proezas matemáticas do calculista persa Beremiz Samir, em Bagdá, no século XIII. Foi publicado pela primeira vez em 1938 e já chegou à sua 80ª edição. Disponível em boas livrarias

 


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