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Edição de terça-feira, 16 de outubro de 2018.
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Beto campeão!



Divulgação – Esporte Clube Novo Hamburgo

Imagem da Matéria

Jus Azul hoje é intimista. Segunda-feira amanheceu triste. De longe, fico sabendo da morte de Beto Campos, grande figura do futebol gaúcho e amável pessoa. Com apenas 54 anos, deixa-nos de forma abrupta. Morte súbita, avisa William, filho de Beto e amigo de nossa família.

O que dizer para Wiliam? Nunca digo algo em ocasiões como essa. Não há o que dizer. Perder o pai desse modo é terrível, e ainda não inventaram palavras que possam cobrir com seu manto uma tristeza desse quilate. E jamais inventarão.

Beto estava no auge da carreira. Campeão gaúcho treinando um time do interior, contra tudo e contra todos. Venceu a poderosa dupla Gre-Nal. E fez com que metade do RS fosse betista. Os gremistas e os não-colorados não torceram para o Noia. Torceram para o valente Beto, como Dom Quixote lutando contra os moinhos de vento do futebol gaúcho.

Beto foi jogador e sabia lidar com os boleiros. Lembro de quando o conheci e lhe enchi de perguntas. Sobre o que mais falamos foi: por que os escanteios são cobrados no primeiro pau, se todos sabem que isso pode gerar um contra-ataque? Por que não se treina cobranças de escanteio? E por que não há mais batedores de falta?

Lembrei ao Beto que, antigamente, ao final dos treinos, o batedor de faltas ficava treinando até que o sol se punha. Beto explicou-me que talvez uma das razões de não termos mais bons batedores de falta é que a exigência do futebol contemporâneo que já não permite um sobre esforço do atleta. São os novos tempos e com eles temos que conviver, dizia.

E assim falamos durante horas, enquanto comíamos churrasco. Nessa época Beto treinava o Zequinha e fez bonita campanha, sendo derrotado pelo Grêmio antes das quartas de final, ao que lembro. E ao finalzinho do jogo o Zequinha quase fez o gol que o classificaria. E William ainda jogava no Zequinha.

Lamentavelmente, o tempo e as vicissitudes da vida acabam impedindo que as pessoas se reencontrem ou se reencontrem menos do que deveriam ou gostariam. Lamento não ter convivido com Beto como Nelson Schaefer e outros amigos de Santa Cruz do Sul. Quem sempre me dava notícias era William, que foi jogador como o pai e acho que, terminando o curso de Educação Física, provavelmente seguirá os passos do pai.

O Rio Grande sente a perda de Beto. O futebol perde um estrategista da bola. Um treinador que estudava futebol. Campeão gaúcho, glória maior do futebol regional, Beto ainda viria a treinar o Grêmio ou o Inter. Seria inexorável. Um dia a dupla buscaria Beto. Não deu. O Náutico foi uma oportunidade no Campeonato Brasileiro, mas as idiossincrasias do futebol nem sempre permitem que o treinador coloque em prática seu talento. E, por vezes, aquela bola na trave ao final do jogo é o começo de outros jogos em que a coisa não dá certo.

Treinador vive de bolas-limite: por centímetros a carreira avança; por centímetros o técnico cai.

O que fica é a simpatia de Beto e aquele espetáculo dado pelo time campeão gaúcho. Aquela garra, do goleiro ao centroavante. Fomos todos Noia em 2017. E o maestro estava ali à beira do gramado. Sofrendo. Vibrando. Coração a mil. Que parou tão de repente. Em uma madrugada. A morte é ladina. E sobre ela nada se pode falar.

Post scriptum: soube que Beto poderia ir, nos próximos dias ou semanas, treinar um time europeu, mais especificamente, da Polônia.


Comentários

Sergio Araujos - Aposentado 24.07.18 | 12:04:17
Bela e merecida homenagem do articulista. E como torcedor colorado gostaria de expressar aos familiares do profissional competente Beto Campos meus sentimentos de pesar e que tenham forças para seguir adiante.
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