Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira, 16 de outubro de 2018.

O despejo do juiz



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

A professora estadual prepara, no apartamento residencial, a aula para o turno da tarde. As crianças estão no colégio e o marido no foro, onde exerce a magistratura. De repente, o porteiro avisa pelo interfone:

- Está aqui um oficial de justiça...

A professora logo permite:

- Diga-lhe que suba - acreditando que o visitante estivesse trazendo talvez um malote com processos para o marido.

Introduzido no apartamento, o oficial de justiça fica constrangido e desculpa-se:

- Sei que é desagradável, mas estou aqui para cumprir uma ordem de despejo, por falta de pagamento de aluguéis. Breve estará chegando um caminhão de mudanças. Peço que a senhora facilite o meu trabalho.

A professora quase desaba – pede para olhar o mandado e, atônita, constata:

- Esse mandado está assinado pelo meu marido... deve haver um engano. Nós moramos aqui há quatro anos, o imóvel é de nossa propriedade e sempre pagamos nossas contas em dia.

Feita uma ligação para o cartório judicial, o juiz ouve atônito, sucessivamente, o relato da própria esposa e do oficial de justiça.

Esclarecidas as coisas e suspenso o despejo, o oficial volta ao foro e, na vara, escuta a mesma explicação que o ativo juiz já dera, ao telefone, para a esposa.

Como o magistrado costumasse, ele próprio, digitar seus despachos e decisões, fora vencido pelo estresse e, no final de uma sentença, concluíra: “Isto posto, decreto o imediato despejo do inquilino residente na rua Vasco da Gama nº xxx, apto. yyy. Expeça-se mandado”.

A sentença era justa, jurídica e, como de hábito, reveladora de que o prolator dera pronta prestação jurisdicional. Só que, por equívoco, colocara seu próprio endereço residencial. Era - como até hoje se comenta na vara - “o auto despejo”.

Certificados os fatos e feitas as correções etc., foi expedido novo mandado, dessa vez efetivamente cumprido na rua Cabral nº xxx, apto. yyy.

A coincidência: ambos os endereços - no mesmo bairro - homenageavam vultos pátrios.


Comentários

Roger Antonio Cavichioli - Advogado 31.07.18 | 13:46:51

Só faltou o magistrado ingressar com ação indenizatória contra o Estado...

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

A primeira vez da juíza

 

A primeira vez da juíza

Literalmente a magistrada foi só, em seu próprio automóvel, para conhecer a casa onde aconteciam os embates de Eros, o deus do amor. Sem demora, numa suíte temática, ela constatou que a vedação acústica tinha problemas. O original caso teve desdobramentos no tititi da “rádio-corredor” da subseção da OAB local.

Charge de Gerson Kauer

A sogra, ou a soga?

 

A sogra, ou a soga?

“A ação de usucapião ajuizada no foro de cidade próxima ao litoral norte gaúcho se referia a uma pequena área de terra, que passou a ser valiosa porque a cidade cresceu para aqueles lados”. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Charge de Gerson Kauer

   Castigo financeiro e caligráfico

 

Castigo financeiro e caligráfico

Autor de 45 ligações obscenas a uma massagista, um homem torpe foi condenado a pagar reparação moral. A vítima concordou em reduzir e parcelar o valor indenizatório só depois que o depravado capitulou: teve que escrever 200 vezes, em apurada caligrafia, que as mulheres devem ser respeitadas.

Charge de Gerson Kauer

O surpreendente maranhão

 

O surpreendente maranhão

O insólito acontecimento durante a protocolar audiência: na conciliação processual de um casal que se separara, surge à mesa um sugestivo artefato erótico de silicone. A juíza ameaça chamar a polícia. E a solução é esconder o objeto provocador do (suposto) prazer por baixo do paletó de um dos advogados.