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Edição terça-feira , 14 de agosto de 2018.
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Jonatan Alves e a IVI: “Er hat sich verbessern”



Não, não, Pedro Ernesto não fala alemão, ao que eu saiba. E a coluna é sobre ele. Bem, pelo menos em parte.

A história é a seguinte. Nos tempos da Arena e do MDB, volta e meia, lá no interior, uma camarada da Arena mudava de lado e vinha para as hostes emedebistas. E se fazia murmurinho. Protestos da ala mais tradicional do MDB. Poxa, afinal, o cara tinha, até dias atrás, apoiado os militares. Até candidato fora. E, agora, quer entrar no MDB?

E respondia o emedebista que apadrinhava o arenista convertido: “Er hat sich verbessern”, em língua alemã, que era o que, no cotidiano, mais se falava. Quer dizer: “Ele melhorou” ou, ainda melhor por causa do “sich”, “ele melhorou-se”.

Conto isso para falar da virada opinativa de Pedro Ernesto Denardin sobre o jogador Jonatan Alves. Meses atrás, o Grêmio tinha interesse em trazer o jogador polêmico. Pedro Ernesto disse que era uma fria, esse cara só perturbava e quejandos a mais. Seria o caos a sua vinda para o tricolor.

Pois não é que o Internacional, face à desistência do Grêmio, foi lá e trouxe o Alves (a IVI na ZH já chama ele só de Alves, para tirar o estigma do nome “Jonatan”). E então Pedro Ernesto começou a ficar a favor. Algo como “Jonatan Alves hat sich verbessern”. Bingo!

Assim é a vida da imprensa desportiva gaúcha. Assim funciona a IVI – Imprensa Vermelha Isenta. Faz as coisas e poucos se dão conta, porque obnubilados por tantas informações da dita pós-modernidade. Mas os “fiscais da IVI” estão atentos. Fui avisado desse episódio por bons anti-ivistas. Eu estava viajando e, avisado, agora estou mostrando o “melhoramento” de Alves. Essa IVI... Esse Alves... A ver (sem h). O futuro dirá se “Herr Alves hat sich verbessern”!

Sei que a IVI não gosta que se fala dela, a IVI. A primeira reação é “IVI? Isso não existe”.

Pois ela é antiga aqui no Texas. Começou na época do rolo compressor e vem até hoje, com o silêncio sobre os 12 títulos em 13 anos. E sobre o modo como a IVI tratou o Grêmio quando o tricolor foi para a segunda divisão e o modo lhano, carinhoso, incensativo, meloso com que tratou o Internacional no ano de 2017. Segundona virou Brasileirão sem letra. Por vezes incluíam o B. Em outras, esqueciam. E se dizia: time A para a série B. Bem se viu. Bem se viu.

O episódio “Alves” mostra as idiossincrasias e as dicotomias – e até os paroxismos – da imprensa desportiva do Texas, terra que adora centroavante cabeceador-aipim-fuçador e volantão que suja o calção de barro, além de incensar a tese de que “quem mais faz falta ganha o jogo”.

Vejam: isso se aplica a ivistas e não ivistas, gremistas e colorados assumidos.

Volto à IVI. Para quem ainda não a percebeu (veja-se: IVI é como ideologia, ela age sem que ninguém perceba), é composta por jornalistas e componentes ´lato sensu´ da imprensa que, colorados, não (se) assumem. Mas todas as frases e matérias deixam um pequeno rastro, de – confesso - difícil detenção. E a IVI não anda só, porque auxiliada por gremistas fascinados pelo vermelho, como notoriamente sabemos por dois jornalistas que bem simbolizam essa categoria: David Coimbra e Zini Pires, colunista especializado em goleiros ex-Inters que jogam na Europa.

Se alguém quer saber algo sobre o ex-presidente Carvalho ou o goleiro Alisson, a dupla de fascinados pelos vermelhos sabe tudo.

E assim caminha o Rio Grande, com seus programas de rádio em que já se sabe o que vai sair. Rádio que, para mostrar imparcialidade, coloca um gremista e um colorado – só que fazem caricatura de torcedor. E, nos jornais, os colunistas são previsíveis demais. Lá na terrinha em que se passou o episódio da virada do arenista, poder-se-ia dizer: “Die Sportpresse muss sich verbessern” - a Imprensa precisa “se” melhorar.

Não, calma, não generalizo: a imprensa desportiva gaúcha é muito boa. Só o que falta é ser imparcial e mostrar equilíbrios nas coberturas e narrações. Ou fazer como SP, RJ e MG: cada um assume que é torcedor. E parar com os disfarces tipo filme trash, em que o diretor não consegue esconder nem o zíper da roupa do monstro.


Comentários

Gilson Martins Davoglio - Eng. Agronômo 01.08.18 | 09:50:35

A síndrome de Narciso continua agarrada aos colorados. A Globo transmitiu o jogo Botafogo x Inter para vender pela TV a cabo o jogo do Flamengo. A escolha foi por rentabilidade e não por importância do time tartaruga. Que está em cima do poste (G4) e ninguém sabe como chegou lá... simples assim.

Edemar Francisco Feltez - Aposentado 31.07.18 | 20:44:51

Já cancelei a minha assinatura de Zero Hora e larguei o sala de babação!

Alex Jung - Advogado 31.07.18 | 09:29:43

Hahahaha... A síndrome de vira-lata do articulista continua...Mas tenho uma triste informação para o Dr. Lênio: a imprensa do centro do país também é colorada! Pois é, no domingo último, mesmo com o Flamengo jogando em um Maracanã lotado, líder do campeonato brasileiro, não é que a Globo, em Brasília, transmitiu o jogo do INTER contra o Botafogo? Pois é meu amigo, lamento, mas a imprensa toda do país é colorada!

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