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Edição de sexta-feira, 16 de novembro de 2018.
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Claudiomiro Estrais Ferreira, tanque de guerra, bigorna e matador



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Com o avançar do tempo, em doses homeopáticas, perdemos as nossas referências pessoais, desde as mais próximas até aquelas mais simbólicas. Há uma história para a humanidade, uma história para os povos e uma história pessoalíssima, decorrente da nossa existência.

Faz parte da história, em uma época que o mundo era muito menor, na década de 60, comprar material esportivo na Cauduro. A meia cinza do Internacional, a camisa preta do inesquecível Gainete. A vida era muito diferente, pois se quiséssemos o emblema do clube, ele era comprado separadamente e costurado no uniforme.

Eu admirava o Gainete, na realidade queria ser o Gainete, como todos os meninos desejam em ralação aos seus ídolos. O meu uniforme de goleiro era completo, com aquele calção preto estofado na lateral e com as joelheiras de feltro branco.

Mas para a minha geração de colorados havia uma outra referência inesquecível, o nosso Claudiomiro. Ele suscitava alguns apelidos marcantes. Lembro do meu pai chamá-lo de tanque de guerra, bigorna, etc. Tudo indicando força e invencibilidade.

Lembro muito bem dele, especialmente pelo gol marcado no Beira-Rio, o primeiro em um adversário. Ele era baixo, forte, econômico nas palavras e com uma expressão facial de poucos amigos. No linguajar de hoje, seria chamado de matador.

Claudiomiro era alvo de piadas e a ele era atribuída a autoria de frases que não sabemos se disse ou não disse, mas que eram sempre repetidas em tom de veracidade.

Não importa mais, pois o Claudiomiro com todas as suas circunstâncias, folclóricas ou não, ingressou na história do Internacional, do futebol e da nossa história. Porto Alegre comentava o fato do Claudiomiro ser visto ao volante de um possante e vistoso Dodge Dart. À época, isso significava o máximo em termos de sucesso na carreira do jogador. O sucesso era mensurado pelo carro e pela casa.

Dificilmente um jogador, mesmo com a qualidade do Claudiomiro, tinha a chance de ser contratado por um clube europeu. Como disse, o mundo era pequeno e Porto Alegre ainda menor. As comunicações eram locais e algo que ocorria em um outro continente somente era conhecido aqui, dois ou três dias depois.

Sempre tive pena de alguns jogadores que, para mim, viveram na época errada e o Claudiomiro foi um deles. Alguém pode imaginar os efeitos do seu despontar no futebol se fosse nos dias de hoje? Eu imagino, ao menos financeiramente.

Ele seria mais um a receber muitos dólares ou euros e certamente patrocinado por uma grande marca do futebol. Mas o tempo era o da Loja Cauduro, na Rua José Montaury, ao lado da Galeria Chaves.

Quando passei a atuar como dirigente do Internacional, seguidamente encontrava o Claudiomiro no pátio do estádio ou, ainda, em eventos consulares realizados no interior. Deparei-me com a banalização do que, no passado, seria excepcional. Nunca deixei de parar para cumprimentá-lo em uma merecida homenagem ao atleta admirável.

Nesse ato, também há a nostálgica reverência à vida de então, onde o sonho, a esperança e a felicidade eram de pouca complexidade. Fica aqui o registro do reconhecimento e admiração ao Claudiomiro, aquele que nos fez vibrar e acreditar na nossa paixão vermelha.

Claudiomiro enfrentou várias dificuldades, mas teve sempre o afeto da torcida e o apoio do Internacional. Que ele esteja em paz, pois durante muito tempo estará presente em nossa memória.


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