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Edição de terça-feira , 18 de setembro de 2018.
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Gre-Nal, a hora da verdade



Se eu tivesse que definir o gosto de um Gre-Nal, com absoluta certeza seria o gosto do churrasco. Ainda mais, da costela, da farinha, da cebola e o inconfundível cheiro da gordura caindo na brasa tomando conta do ar.

Elegeria como som do Gre-Nal o das transmissões por rádio das notícias que antecedem o momento da partida: quem desceu da concentração para o café; quem transparecia tranquilidade; o embarque no ônibus; a chegada no estádio; e a saudação apaixonada e nervosa da torcida.

Isso faz parte da nossa vida, da cultura da nossa terra e dos nossos valores. Não é por acaso que a dicotomia faz parte da nossa história. Aqui, não tomar partido no futebol, na política e acerca de fatos relevantes do cotidiano não faz parte da nossa personalidade.

Vivemos um permanente plebiscito, onde sempre somos a favor (mas não muito) e contra, mas muito contra.

Assim sendo, o Gre-Nal é o apogeu dos nossos sentimentos. Não importa vencer, o que desejamos é patrolar o adversário, dar um chocolate, não deixando dúvidas quanto a supremacia da nossa preferência.

Os dois times chegam ao Gre-Nal em condições muito semelhantes. Nenhum pode desprezar a oportunidade de afirmação.

O Internacional que iniciou o ano sem agradar o torcedor colorado, apresenta até o momento uma expressiva retrospectiva de resultados positivos. Não perde, não toma gols e grudou na ponta da tabela de classificação do Brasileirão. Já o adversário, ainda comemorando a vitória do ano anterior, avança na Libertadores, vencendo as dificuldades próprias da competição.

Com isso, não imagino um enfrentamento morno, desprovido de gana. Aos dois só interessa a vitória.

Nesse momento, mais um “Gre-Nal do século”, seria devastador.

Tenho convicção que dado início à partida, não haverá aquele tempo para que uma equipe estude a outra. Haverá sim, ataques rápidos e uma imensidão de torcedores frenéticos, pedindo gols.

A expectativa é grande e o frio na barriga que geralmente nos acompanha na manhã do dia do jogo, já é possível sentir agora.

Preparem-se os cardiopatas, dobrem os medicamentos e aguardem um grande jogo. Pois bem, desenhado os contornos do confronto, é preciso não esquecer que a vida continua após o final da partida.

Calma, muita calma e respeito ao adversário. Assim como nós temos o direito de torcer pelo nosso time, os outros têm igual direito.

Gre-Nal é uma disputa no campo de jogo, mas apenas nele. Aproveitemos o momento para deixar um pouco de lado as raivas acumuladas, seja pela falência da nossa economia, seja pela destruição moral e ética do nosso país ou até mesmo pela incineração de parte da nossa memória histórica.

Somos torcedores e não bárbaros. A convivência faz parte do processo civilizatório. No restante, a verdade surgirá nos 90 minutos.


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