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Edição de sexta-feira, 19 de outubro de 2018.
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Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra!



Foto de Tiago da Rosa (GES) – Reprodução do Jornal NH

Imagem da Matéria

Não é tarefa fácil escrever sobre futebol no dia em que comemoramos a Revolução Farroupilha e no momento em que a disputa eleitoral no país aponta para um inacreditável confronto. À medida em que vamos vivendo situações reais, banalizamos a sua importância.

Nunca imaginei um ex-presidente preso ou um candidato vítima de atentado no Brasil. Também nunca imaginei ter o Judiciário sob o comando de alguém que sequer logrou aprovação em concursos para o cargo de juiz substituto.

Como disse, assim como banalizamos os pedidos de crianças famintas nas sinaleiras, banalizamos os horrores de um Estado destruído pela ausência de valores éticos na política e em muitas instituições.

Vivemos em uma Porto Alegre que mais parece um cenário de guerra. Basta olhar para os lados na Avenida Farrapos, um outrora ícone do porvir promissor. Lojas fechadas, prédios pichados de alto a baixo, abrigos de papelão nas calçadas e praças servindo de moradia, etc.

Imagino que alguns leitores estejam considerando os meus comentários demasiadamente ácidos. Eles apenas são fruto de uma comemoração que hoje não temais sentido, considerando a derrocada do Rio Grande do Sul que vem perdendo posições ao longo de anos e a constatação de que há um abismo entre a democracia como teoria e a prática.

Mas vamos em frente.

Apesar dos pesares, apesar dos saques e assaques, o que tem sido orgulho no Rio Grande do Sul é justamente o futebol. Temos aqui dois grandes clubes de futebol que disputam as principais competições com efetivas chances de título. Ora, isso não é pouco.

Não representamos as maiores audiências para os jogos transmitidos, nem o maior consumo de produtos ligados aos clubes. Somos clubes regionais e não nacionais como os do centro do país.

As dificuldades são superadas por aqui, ao passo que com os clubes do centro do pais são crônicas. Claro que é um quadro complicado, não é fácil fazer dinheiro com o futebol em um estado quebrado.

A diferença talvez esteja na presença de um sentimento que foi sendo abandonado com relação a nação e as nossas instituições. A paixão.

A nossa fidelidade apaixonada ao clube, a nossa necessidade de acreditar e apoiar e, principalmente, a nossa esperança no futuro.

Na terça feira, quando estava com um amigo que foi buscar o filho Mathias no colégio, testemunhei as crianças em torno do mastro da bandeira do Brasil sendo hasteada cantando o hino nacional e, após o do Rio Grande do Sul. Confesso que a cena me tocou muito, pois é raro cultivarem-se os valores do patriotismo e do regionalismo.

Já com o futebol, o engajamento é natural: camiseta, bandeira, hino, cânticos, opiniões, debates, etc.

Enfim, é muito mais fácil torcer para o nosso clube do coração, do que arrumar espaço no mesmo coração para tudo aquilo que provocou o fim dos nossos sonhos. Ao menos ainda temos 90 minutos de crença de que lutar vale a pena e que logo ali na frente seremos campeões de algo.


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