Ir para o conteúdo principal

Edição de sexta-feira, 19 de outubro de 2018.

Incidente de juiz e advogada gaúchos com a Polícia Nacional em Lisboa



O juiz do Trabalho Átila da Rold Roesler - que atua em Porto Alegre - e sua mulher, Gabriela Goergen de Oliveira, que é advogada (OAB-RS nº 94.859) ficaram detidos por alguns minutos na Praça do Comércio, em Lisboa, em Portugal, na terça-feira da semana passada. As informações são da Folha de S. Paulo.

O local é um dos pontos turísticos da capital portuguesa, situado à beira do rio Tejo.

Gabriela tirava fotos com um cartaz com os dizeres “Lula livre” quando foi abordada por quatro soldados da Polícia Nacional do país lusitano. Os guardas determinaram que as fotos fossem apagadas e só liberaram o casal depois de verificar cartão e memória do celular.  

Jamais imaginei que isso pudesse acontecer” – disse Gabriela. Ela contou ao jornal paulista que o marido não participou da manifestação, mas que ela vai refazer o cartaz para usá-lo na Espanha, próximo destino do casal.

Repercussões

O saite Antagonista publicou, dois dias depois, que - em mensagem a um grupo de WhatsApp de juízes e desembargadores do TRT-4 - o magistrado Átila Roesler disse que o ex-ministro José Eduardo Cardozo  interviera, por ele, no episódio em Portugal. Atila teria recomendado aos colegas “ser importante ter contatos”.

Na mesma publicação, o Antagonista dirige-se à Associação Juízes para a Democracia – a quem chama de “a Coreia do Norte do Judiciário” - e sugere que ela lembre o juiz trabalhista e sua mulher que “fazer apologia de crime ou criminoso é crime previsto no artigo 287 do Código Penal”.

Gaúcho natural de Ijuí (RS), o magistrado é oriundo do TRT do Mato Grosso (23ª Região), tendo chegado à Justiça do Trabalho gaúcha por meio de remoção em janeiro de 2014.


Comentários

Ricardo Francisco - Advogado 26.09.18 | 10:37:21
Vergonha, são alguns advogados tratarem réus ainda sem trânsito em julgado como criminosos. Tempos difíceis em que advogados não defendem a presunção de inocência.
Nei Antônio Zardo - Advogado 25.09.18 | 16:02:06
É uma vergonha o fato de uma advogada, e um magistrado fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime. Penso que ambos nunca leram o artigo 287, do Código Penal, no Curso de Direito. E pior: no exterior.
Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Liminares para soltar criminosos custavam de R$ 70 mil a R$ 500 mil

Acórdão do CNJ revela os anúncios e as negociações, nas redes sociais, para soltar criminosos.  O desembargador Carlos Feitosa, do TJ do Ceará, concedeu 20 liminares em habeas corpus em dois plantões. Após, o filho do magistrado festejou: “O carcereiro está trazendo as chaves, bem como o fim dos trabalhos, com 100% de êxito, estando feliz por ter ajudado os amigos”.