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Edição de sexta-feira, 19 de outubro de 2018.

“O ataque sexual mudou minha vida para sempre”



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Em seu depoimento diante da Comissão de Justiça do Senado dos EUA, a psicóloga Christine Blasey Ford, de 51 anos, contou ontem (27) de forma emocionada, mas contundente, como foi atacada sexualmente pelo juiz Brett Kavanaugh, indicado este mês para a Suprema Corte, pelo presidente Donald Trump.

Ela declarou ter recebido ameaças de morte e que teve seu e-mail hackeado depois que decidiu revelar a agressão sofrida quando tinha apenas 15 anos, no início dos anos 80, numa festa da escola. Disse ainda que nunca vai esquecer o ataque, e que o episódio a assombra desde então.

A agressão mudou minha vida para sempre - contou. Durante muitos anos, tive medo demais de contar a alguém o que aconteceu.

A psicóloga disse que decidiu depor porque considerou que este era seu dever, no momento em que o abusador pode chegar à Suprema Corte dos EUA como o seu mais novo integrante.

— Estou aqui não porque quero estar. Estou apavorada. Estou aqui porque acredito que é meu dever cívico contar aos senhores o que aconteceu comigo quando Brett Kavanaugh e eu estávamos no ensino médio.

O que está em jogo no depoimento é a confirmação do nome de Kavanaugh para o Supremo. Se ele for nomeado, a corte — que hoje tem quatro juízes conservadores e quatro progressistas — terá uma maioria conservadora sólida por muitos anos, uma vez que o cargo é vitalício.

Em relação às suspeitas de que seu depoimento é uma jogada política, a psicóloga disse: "Sou uma pessoa independente, não sou um fantoche".

Christine Ford relatou aos senadores, com a voz falhando por vezes, os mínimos detalhes da agressão. Ela afirmou ter "100% de certeza" de que o juiz foi a pessoa responsável pelo abuso do qual foi vítima, e afirmou que na ocasião teve medo de morrer.

Quando cheguei à festa, as pessoas estavam bebendo cerveja, numa sala no primeiro andar da casa. Tomei uma cerveja naquela noite. Brett e seu amigo Mark Judge estavam visivelmente bêbados - afirmou. Subi um lance estreito de degraus que levava da sala de estar ao segundo andar para usar o banheiro. Quando cheguei ao topo da escada, fui empurrada por trás para dentro de um quarto.

Segundo ela, Brett e Mark entraram no quarto atrás dela e trancaram a porta. "Já havia música tocando no quarto, e eles aumentaram o volume. Fui empurrada para a cama e Brett pulou em cima de mim. Ele começou a passar as mãos pelo meu corpo e a pressionar seus quadris contra mim", recordou.

Ela lembra que tentou gritar, esperando que alguém no andar de baixo a ouvisse, enquanto tentava afastar Brett, mas ele era pesado.

- Ele me apalpou e tentou tirar minhas roupas. Não conseguiu, porque estava muito bêbado e também porque eu estava usando um maiô sob a roupa - disse Christine. Eu achei que ele ia me violentar. Tentei gritar por socorro. Mas Brett tapou minha boca para me impedir.

Para a psicóloga, isso foi o que mais a apavorou e teve o impacto mais duradouro em sua vida. Algo que não conseguiu esquecer e que causou ataques de pânico mais tarde.

- Eu não conseguia respirar, e eu pensei que Brett fosse me matar acidentalmente - afirmou.

A certa altura, segundo Christine, Mark pulou na cama duas vezes enquanto Brett ainda estava em cima dela.

- Então nós caímos e consegui me libertar. Saí correndo do quarto e entrei num banheiro do outro lado do corredor. Me tranquei lá. Ouvi Brett e Mark saírem do quarto rindo e falando alto, descendo as escadas e batendo nas paredes. Esperei e, quando não os ouvi subindo as escadas de volta, saí do banheiro, desci e saí da casa pela porta da frente. Senti um enorme alívio ao perceber que os dois não estavam vindo atrás de mim - narrou.

A transmissão televisiva do depoimento foi acompanhada por milhões de pessoas em várias partes dos Estados Unidos, incluindo pelo presidente Donald Trump, segundo a Casa Branca.

Segundo Christine, o ataque mudou a vida dela para sempre, e nos anos seguintes, quando tinha que relembrar o ataque em terapias, sempre apresentava sintomas de ansiedade e pânico. Só o revelou ao marido quando estavam fazendo uma reforma e ela insistiu em fazer uma segunda porta na frente da construção (em sua mente, uma estratégia para possibilitar uma fuga).

Ele não entendeu, e então contei sobre o ataque.

Christine afirmou que, quando soube que o juiz Kavanaugh seria indicado para a Suprema Corte, ela ficou em dúvida sobre se deveria denunciá-lo ou não. Inicialmente procurou contatar o Congresso e enviou uma carta à senadora democrata Dianne Feinstein. Depois, ligou para um "disque-denúncia" do jornal Washington Post, que a entrevistou mais tarde.

- Não estou aqui para determinar se Kavanaugh deve ser nomeado para a Suprema Corte, estou aqui para contar a verdade - disse à comissão do Senado.

O juiz repetidamente nega as acusações de todas as mulheres que vieram a público para relatar as histórias de abuso. Ele tem dito que “abusos sexuais são horríveis, moralmente errados e contrários à minha fé religiosa".

Além de Christine, Deborah Ramirez e Julie Swetnick acusam formalmente o juiz de má conduta sexual nos anos 1980. Outras duas mulheres em anonimato enviaram cartas a senadores denunciando terem também sido vítimas de abusos sexuais por Kavanaugh.


Comentários

Lúcio Verane - Advogado 28.09.18 | 10:54:46

É estranho que este nobre Espaço Vital publique somente uma versäo dos fatos, dando a entender que o juiz seja culpado de algo. Esquerdopatas tambem existem nos Estados Unidos, onde moro. Aqui os PeTralhas locais atendem pelo nome de Democratas. Fazem de tudo para denegrir a vida alheia (por pensar de forma diferente da doença deles) sem o menor escrúpulo, ou prova. Todas as únicas três mulheres confessaram estar bebadas na época.

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