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Edição de sexta-feira, 16 de novembro de 2018.
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Sobre o voto em branco... ainda !



Chargista Nani

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PONTO UM:

Não há como não falar em eleições na semana que antecede o segundo turno da escolha política mais polêmica e inusitada das últimas décadas, pós refundação da República.

Primeiro porque, surpreendentemente, estas eleições fugiram aos prognósticos que os gurus da política e do direito eleitoral previram alguns meses antes do início da campanha, a exemplo da prognosticada manutenção dos candidatos à reeleição no caso do Poder Legislativo, porquanto as reformas legislativas de 2017 os favorecia, seja pela distribuição dos recursos públicos do fundo de campanha, seja pelo tempo na tevê e no rádio.

O resultado foi exatamente o contrário, ocorrendo a maior renovação das cadeiras nas assembleias e na Câmara dos Deputados de que já se teve notícia.

Segundo, a polarização estabelecida a partir de ideias e bandeiras e não mais de partidos a disputarem o segundo turno.

Claro que outros indicativos também poderiam ser considerados, mas por ora fiquemos nesse último. As candidaturas que saíram vencedoras do primeiro turno, especialmente nas eleições presidenciais, também trazem à baila o agigantamento do voto em branco, o que certamente não chega a ser novidade, mas neste ano mostra-se de certa forma agudizado.

PONTO DOIS:

Arrisca-se, mesmo assim, uma profecia: o voto em branco (ou nulo, o que dá no mesmo, trocando em miúdos) vai alcançar, no segundo turno, índices inéditos, o que justifica pensar-se um pouco mais sobre essa opção do eleitor, que se respeita, mas que não se abona.

Há duas formas de se analisar a decisão subjetiva, pessoal e até secreta (nunca esqueçamos que o segredo do voto é dogma constitucional no Brasil) de votar em branco (ou anular o seu voto).

À primeira vista, parece que o eleitor estaria transmitindo a seguinte mensagem pelas urnas ao optar pela tecla “branco”: ´Não escolho nenhum dos candidatos porque rejeito a ambos!´

Essa verdade só existe no subconsciente do eleitor, não se reproduzindo no mundo real, pela simples razão de que o voto em branco não é computado, valendo o mesmo que o voto nulo ou a abstenção.

A segunda leitura – que nos parece ser efetivamente a que prevalece em termos de resultado – corresponde à seguinte conclusão: ´Concordo com qualquer dos candidatos!´

Sim, ao votar em branco o eleitor permite que os demais eleitores que optaram por um ou por candidato façam a escolha por ele, submetendo-se inteiramente a essa escolha por terceiros. Porque desimporta qual o número total de votos válidos, seja ele qual for, estará eleito o candidato que tiver mais que a metade desses votos.


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