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Edição de sexta-feira, 16 de novembro de 2018.
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O Inter dá cartão vermelho a Vitório Piffero



Arte de Camila Adamoli sobre foto Camera Press

Imagem da Matéria

Na quarta-feira (24) testemunhamos algo inédito no Conselho Deliberativo do Internacional: o julgamento dos ex-dirigentes da gestão Piffero, apontados como responsáveis por irregularidades administrativas. Se de um lado, como colorado que sempre esteve atento à obrigação de servir o clube, sinto vergonha -, de outro tenho orgulho de que o Internacional está fazendo o que muitos outros clubes deixaram de fazer, ao jogarem a sujeira para baixo do tapete.

Obviamente tenho críticas técnicas ao procedimento instrumental e, muito especialmente, a mais uma lamentável apresentação autoritária, eivada de parcialidade, do presidente do Conselho Deliberativo.

Todavia, críticas à parte, um relatório apresentado por um dos integrantes da Comissão Especial, identificou os fatos e o enquadramento dos indiciados na legislação do PROFUT. Basicamente foram detectadas retiradas em dinheiro de expressivos valores do caixa do clube, sem a imediata comprovação.

Após um número expressivo de levantamentos em dinheiro vivo, prática jamais antes adotada por outras administrações, foram apresentadas notas fiscais de empresas nitidamente de fachada, a maioria com sede nos litorais gaúcho e catarinense. As notas eram sequenciais e desguarnecidas do respectivo contrato.

Foram apontados como responsáveis o presidente do clube, o vice de finanças e o vice de patrimônio. Esse último, como fiscal natural das pretensas obras, assinava as notas fiscais apresentadas.

Há notas de empresas das quais os irmãos do vice Pedro Afatato eram sócios. Foram exibidas fotos de onde estariam sediadas as empresas. Elas falam por si só, a considerar-se a singeleza. Minúsculos casebres de praia, salas desocupadas em edifícios em balneários, etc.

Um aspecto relevante, foi que em um determinado mês o Internacional deixou de pagar integralmente a fatura do cartão de crédito corporativo, aproximadamente R$ 600 mil, muito embora as retiradas em dinheiro no mesmo mês, fossem quase o dobro disso.

É impressionante que tudo isso tenha ocorrido da forma como ocorreu, sem nenhum requinte ou sutileza. Para mim, apenas a arrogância justifica a forma adotada para o cometimento das irregularidades, com absoluto desprezo às instâncias do clube.

No tocante aos três citados anteriormente, o momento seguinte seria para a apresentação das defesas. Dois deles, Pedro Afatato e Emídio Ferreira, não utilizaram o tempo a eles reservados, tendo optado pela busca de oportunidade perante o Judiciário.

Piffero compareceu e utilizou o tempo de 30 minutos destinado à defesa. Também em síntese e seguindo a moda lançada na vida pública, resumiu o seu depoimento em “NÃO SABIA”...

Nisso há uma confusão. A questão não é saber, ou não, das irregularidades. A questão nuclear é quanto à responsabilidade jurídica e o dever de saber do mandatário máximo. Ora, se o presidente não sabia, quem poderia saber?...

Essa alegação não representaria uma confissão de negligência e omissão, ambas também puníveis? Será que algum sócio votou no Sr. Vitório para que ele virasse as costas ao que acontecia na sua administração?

Em sequência veio a defesa do então vice de administração, Alexandre Limeira, situação que mais se presta a controvérsia no tocante aos fatos imputados e à responsabilização: uso do cartão de crédito coorporativo. Tal utilização sempre houve e, no seu caso, estava no mesmo patamar operacional da administração do futebol que sequer foi investigado. Os valores, - abatidos o consumo pelo presidente e vices eleitos - não ultrapassou, no período, o valor médio de R$ 4 mil por mês.

Entendo que a sua defesa foi muito bem construída e a sua responsabilização indevida. Foi o meu voto.

Uma das imputações diz com o desvio de finalidade no uso do cartão, embora alegue que servia para o pagamento de reuniões de diretoria. Apresentou inúmeros depoimentos filmados que atestam a veracidade do argumento de defesa. O primeiro foi dado por nada mais, nada menos, que por Fernando Carvalho. O segundo depoimento pelo então segundo vice eleito. Ora, se houve desvio de finalidades, todos aqueles que confessaram participação em almoços e jantares, são coniventes e também devem responder pela irregularidade. Ora, se caso a Comissão entenda que apenas alguns almoços e jantares eram injustificados, que os aponte.

Não tenho nenhuma dúvida que isso também será objeto de análise judicial.

No início da reunião foi lido o requerimento que apresentei, para que fosse dado aos conselheiros o direito de revisarem a decisão que absolveu um vice eleito e um diretor com funções relacionadas com a administração e fiscalização da gestão. Isso ficará para uma próxima reunião.

A votação foi por escrito e nominal. Ao final, todos foram considerados culpados e aplicada a pena de dez anos afastados de qualquer cargo diretivo. Alexandre Limeira teve aproximadamente 40 votos a favor.

Mas, se alguém acha que ainda é pouco, alerto que seguramente poderão ser julgados pela Comissão de Ética e expulsos do quadro social. Foi aprovada, na mesma reunião, a obrigação de o clube buscar o ressarcimento dos prejuízos junto aos responsabilizados.

Ontem também obtive informações de que o Ministério Público está chegando no inferno, no futebol, inclusive com a quebra de sigilos bancários e telefônicos de ex-dirigentes. Tomara, pois aí reside o que de pior ocorreu em termos de falta de transparência.

Como disse, embora não de uma forma perfeita, o que tinha que ser feito foi feito. Não houve pizza, muito embora o esforço e ameaças de alguns.

O que queremos é que nunca mais o Sport Club Internacional passe pelo que sofreu. Um total desrespeito para com a sua grandeza e história – situações que jamais passaram pela imaginação daqueles que, anonimamente, levavam cimento e tijolos para a construção do nosso estádio.


Comentários

Marcílio Gonçalves Filho - Servidor Público Federal Aposentado 26.10.18 | 16:52:55

Parabéns Colorado! Era admirador de Pifero e espero que um dia ele possa explicar melhor o que de tudo aconteceu! As palavras dizem tudo! Em frente Sport Club Internacional! Tornar-se mais gigante, se ainda fosse possível!

João Flávio Miranda - Representante Comercial 26.10.18 | 16:33:02
Muito bom esse assunto, parecia que seria colocados de lado.
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