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Edição de sexta-feira, 16 de novembro de 2018.
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Os tentáculos da poderosa confederação e seus efeitos em Porto Alegre



Gerson Kauer

Imagem da Matéria

 

 A poderosa confederação

A Confederación Sudamericana de Fútbol é uma instituição dita “esportiva internacional” que organiza, desenvolve e dirige competições de futebol. Tem como filiadas as associações que controlam o futebol da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguaia e Venezuela.

Seus campeonatos mais conhecidos são a Libertadores (disputada por clubes) - e a Copa América (de que participam seleções nacionais). A Conmebol possui seu próprio ranking de clubes.

Em 1916, após o sucesso de um campeonato realizado na Argentina, comemorando o centenário da independência daquele país, o então dirigente uruguaio Héctor Rivadavia Gómez propôs a criação de uma entidade sul-americana de futebol. Assim, em 9 de julho daquele ano, as confederações da Argentina, Chile, Uruguai e Brasil fundaram a Conmebol. Já são 102 anos de história e estórias. Os demais países ingressaram entre 1921 e 1952.

As associações de Guiana, Guiana Francesa e Suriname preferiram aderir à Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe – a chamada Concacaf - mesmo fazendo parte, geograficamente, da América do Sul.

  A primeira vez da Conmebol na vida do Grêmio

É do engenheiro (gremista) Ricardo Wortmann - blogueiro da Corneta do RW, acre crítico da Imprensa Vermelha Isenta e minucioso fiscal das idiossincrasias do Grêmio - o levantamento de um primeiro e sério antecedente da Conmebol atravessado, há 16 anos, no caminho futebolístico do imortal tricolor.

Nicolas Leoz, então mandachuva da Conmebol por 26 longos anos, está em prisão domiciliar. A justiça relaciona ao nome dele o desfrute de apreciáveis U$ 28 milhões. Leoz era o presidente da Conmebol em 2002. Até gremistas de pouca memória lembram da Libertadores da América daquele ano. O Olímpia do Paraguai eliminou o Grêmio nas semifinais da competição; depois o time paraguaio enfrentou o São Caetano e foi campeão da Libertadores.

Naquele 2002, o Olímpia completava 100 anos e todos, no Paraguai, exaltavam a possibilidade de o clube ser campeão da América. Sob a batuta gerencial de Leoz, os paraguaios foram ultrapassando todas as fases da Libertadores, aproveitando-se de providenciais erros de arbitragem contra os adversários.

Textualmente, relata RW que “o apogeu do descalabro dos homens de preto ocorreu no Estádio Olímpico, em noite de uma arbitragem calamitosa prejudicando o Grêmio”. E detalha: um gol mal anulado do zagueiro Claudiomiro e a repetição de um pênalti defendido por Eduardo Martini sepultaram as chances do tricolor gaúcho.

Tal como Wortmann, centenas de gremistas que assistiram aquele jogo acreditam que a mão forte de Nicolas Leoz, externamente, agiu pesado em 2002.

  Novos fantasmas em ação

Semelhante fenômeno externo ocorreu, de terça a sábado passados, em episódios em Porto Alegre e em Luque (cidade-sede da Conmebol). No ponto, não há necessidade de ser repetitivo – os acontecimentos estão bem vivos na memória de quem gosta de futebol.

O Espaço Vital realça, porém, o trabalho de quatro advogados gaúchos (Nestor Hein, Leonardo Lamachia, Jorge Petersen e Henrique Soares Pinto) e do colega uruguaio Fernando Sosa. Os cinco foram corajosos e intrépidos defensores jurídicos do Grêmio, sustentando teses legítimas, jurídicas, éticas, morais, de analogia, de respeito ao fair-play etc.

Mas foram vencidos por uma chamada “Unidad Disciplinaria” formada por Eduardo Gross Brown, paraguaio; Amarilis Belisario, venezuelana; e Cristóbal Valdés, chileno. Nem o famoso juiz brasileiro Lalau julgaria melhor que os auto intitulados juristas sul-americanos.

Eles ajustaram as cartas via demoradas (mas sigilosas) videoconferências, numa conjunção em que a presença do River Plate e a intervenção até mesmo do presidente da República Argentina, aproveitou-se ausência do apoio político de Francisco Noveletto Neto. O notório presidente da Federação Gaúcha de Futebol desde 2004 há 14 anos só vê o futebol com coloração vermelha e aversão ao azul.

  As más contratações

Para a necessária análise imparcial dos acertos e dos erros do Grêmio e dos logros e furadas pelo qual o clube gaúcho passou, não se omitem fatores ponderáveis. Entre estes, a estranha teimosia de Renato Portaluppi em poupar jogadores ricamente pagos, mas que não dão expediente regular nos dias de determinados jogos ao alvedrio do treinador.

Somem-se as erradas e caras contratações de André, Marinho, Thaciano, Maicosuel, Hernane Brocador, Madson e alguns mais. Além da absurda insistência com Bressan (“o coveiro” – segundo advogados gremistas na “rádio-corredor” da OAB-RS), Marcelo Oliveira e Douglas.

E não se fala mais nisso.


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