Recurso especial com sabor de queijo francês


O assessor da ministra do STJ estava às voltas com uma ação que condenara, nas instâncias inferiores, uma portentosa empresa multinacional de serviços online e softwares por ofensas veiculadas, nas redes sociais. A vítima fora um cidadão brasileiro, assacado por um desconhecido terceiro. A recorrente argumentava “não poder ter controle sobre a inclusão de informações”.

De repente, o servidor judicial constatou uma receita de “Risoto au Fromage et Tomatte” acrescentada às razões de recurso especial. Não se tratava do já tolerado erro de “copia-e-cola”, mas de uma folha à parte, íntegra. Ela fora inserida como anexo, contendo dicas de como cozinhar, com excelência, a iguaria que leva nozes picadas, manjericão fresco etc.

Foi uma gozação geral no gabinete.

Voltando ao plano jurídico, no dia seguinte a relatora despachou, facultando "aos advogados que subscreveram a petição, o desentranhamento do documento (fl. 601 - uma receita de risoto), pois o mesmo não integra e nem tem relação com o presente processo".

No tititi brasiliense, algumas das “rádios-corredores” da capital federal chegaram a especular que um “zeloso capinha” (denominação dada a servidores da corte para, na sala de sessões, praticarem mesuras e resolverem problemas de última hora) chegara a um extremo puxa-saquismo.

O “capinha” teria testado e preparado, em casa, a mesma iguaria – que batizara de “Risoto Especial Judicial” - levando-a, tal como uma despojada mas afetuosa quentinha, para que a ministra provasse.

O sabor teria sido aprovado com louvor.

Serviço Espaço Vital
Veja a cópia da receita, tal como entranhada nos autos processuais.
E – se achar interessante – experimente em casa. É para seis pessoas.