O salvamento da justi├ža


Na comarca com duas varas judiciais, os dois juízes locais são – independentemente do corporativismo – bem amigos. Nos domingos de sol o programa habitual é ambos irem – com suas respectivas esposas – banhar-se na praia do rio que margeia a cidade.

As preliminares são caipirinha, tapioca, cerveja gelada, camarão ao alho e óleo, água de coco, e naturalmente o sol. Na conjunção, o tempo passa e um dos doutos fica ébrio.

O colega sóbrio percebe e adverte o amigo para que se cuide, no momento em que ele avança para refrescar-se.

Alheio, o juiz embriagado joga-se na água. E com braçadas desconcertadas, vai nadando até alcançar o meio do rio. Ali percebe que não consegue fixar-se com os próprios pés. Tenta, então, retornar à margem.

Dá meia dúzia de braçadas, começa a afundar, gesticula e ainda tem forças para gritar:

- Socorro! A justiça está se afogando! Salvem a justiça!

Circunstantes acodem exitosamente – entre eles um bombeiro, exímio nadador, que passeava com a família.

Posto o juiz ébrio de volta à terra firme, recebe o conforto da esposa. Ele parece se recompor e então proclama, com o polegar esquerdo empinado:

- A justiça foi salva! Homologo o acordo para que surta seus jurídicos e legais efeitos.

No dia seguinte, um prestativo médico local fornece bonito e superabundante atestado: “O desconforto momentâneo do paciente, em dia de descanso, decorreu de reação ínsita à ingestão de um aperitivo, após prévio uso, na noite anterior, de ansiolítico necessário ao enfrentamento de estresse laboral”.

Sua Excelência passa bem!