Quando o suposto amor vira negócio


O Newton e a Jacilene, ele estudante de Filosofia, ela vendedora (nas horas vagas), estavam “ficando”. Tinham, se conhecido num bar da moda, mas a relação ainda não alcançara profundida intimidade. Numa sexta, os dois combinaram a ida a um motel. E foram! Presume-se que os objetivos tenham sido alcançados.

Na manhã de sábado, na hora de irem embora, o Newton embicou seu Ônix em direção à porta da garagem, passou direto pelo guichê do pagamento, engatou uma primeira, derrubou o portão e saiu desabalado sem acertar a conta. Pelas placas do carro foi possível localizar o cara-de-pau, contra quem o dono do motel logo ajuizou ação judicial.

O juiz abriu a audiência discorrendo sobre conceitos de bom-caratismo. E perguntou ao Newton se ele “não sentia vergonha pelo que fez”.

- Doutor, até agora estou encabulado, sou uma pessoa de bem, estudioso, nunca me envolvi com polícia e justiça... – o réu explicou discursivo.

O magistrado atalhou:

- Conte, então, o que aconteceu.

Olhando para baixo, o futuro filósofo relatou uma história comovente: “Eu pensava que estava começando a namorar a Jacilene. Na hora em que dei a partida no carro para sairmos do motel, ela me surpreendeu. Exigiu que, antes da saída, eu teria que acertar o cachê dela.

Fez-se silêncio na sala, mas logo o Newton arrematou: “Tive um acesso de fúria, sacudi a mulher, quase dei uma ´bolacha´ nela, acelerei o carro descontrolado, e fiz a bobagem que me trouxe aqui, pela primeira vez em um foro”.

O juiz aparentou compaixão. E o dono do motel, comovido, aceitou parcelar, em quatro vezes, o valor dos reparos e arrematou com uma benesse extra:

- A diária da suíte fica como cortesia da casa.

O acordo foi homologado. O Newton já pagou a primeira parcela. A Jacilene tem sido vista nos bares da vida de uma das grandes cidades gaúchas.

E filosoficamente não se fala mais nisso.