A relação entre sexo e pênaltis


Já escrevi aqui no Jus Azul, que a IVI inventou, como no livro 1984 de G. Orwell, uma novilíngua. Segundona virou Brasileirão série B. Gol roubado a favor do Inter vira “gol resultante de lance polêmico”. Bingo.

Agora a IVI se superou. Falo do comentário de Diori Vasconcelos sobre o pênalti não marcado por Anderson Daronco – vejam a foto que ilustra a coluna de hoje.

“Moledo segurou a camisa do adversário, mas não puxou. Por isso não foi pênalti”. Fumou, mas não tragou! Binguíssimo. Bom, basta ver a imagem. E o vídeo. E a foto. Sim, a foto, pela qual Diori, malabaristicamente, diz que não houve o penal.

Disse Diori: “Se foto comprovasse pênalti, a Fifa teria criado o árbitro de foto, e não o de vídeo”. Que tal? A novilíngua ou duplipensar de Diori dará tese de doutorado em arbitragem e jornalismo.

Na foto é pênalti, diz Diori. Mas olhando o vídeo, não, alude.

Digo eu: caro leitor, veja de novo a foto. Vejam a camisa. Segurou a camisa, mas não é pênalti... Hum, hum. Um twiteiro, vendo um comentário de Diori sobre o gol de Marinho contra o São Luiz, apimentou: “Diori: até na foto foi um golaço”. Diori virou meme.

Dar outro nome às coisas não é coisa nova. Bill Clinton, ao ser inquirido sobre o episódio Monica Lewinski (sexo oral no salão oval da White House), respondeu: “Tecnicamente não foi sexo. Sexo tem de ter intercurso. No caso, foi apenas felatio in ore”. Bingo de novo.

Moledo segurou, mas não puxou. Na foto é pênalti; no vídeo, não. Fumou, mas não tragou. No vídeo, Hitler era um canalha; na foto brincando com o seu cachorro, um monstro meigo. Pois é.

A linguagem, como dizia Platão, é um Pharmakon: veneno, remédio e cosmético. A IVI criou uma linguagem nova. Até título de sub treze dá notícia, com direito à entrevista da mãe do goleiro colorado. Lembram da página inteira de ZH em uma vitória do time feminino do Inter sobre o Grêmio? E quando o Inter assumiu a liderança da segundona, em 2017, a manchete esqueceu o ´B´ de série B e a notícia foguetória foi: “Inter assume liderança do Brasileirão”.

Desculpem, mas vai aí mais um bingo! E dizem por aí que “isso de IVI não existe”!

Essa do Diori foi de cabo de esquadra. Ora, com todos os recursos técnicos, comentar arbitragem é fazer profecia sobre o que passou. Bom, no Brasil se erra até nas previsões sobre o passado. E Diori (não só ele, atenção, porque a CIA – Comentaristas Isentos de Arbitragem - tem mais integrantes) consegue errar em ´slow motion´.

Bom, esta minha opinião é apenas uma imagem. Uma foto. Um print. No vídeo a coluna pode ser bem diferente...!

Diz-se que contra fatos não há argumentos. Por aqui, para a IVI, contra argumentos não há fatos. Nem fotos. Nem vídeos!

PS – Convido os leitores a me seguirem no Twitter Lenio Jus Azul - @streckgremio. E a fazerem sugestões também.