Amigo que é amigo não "come" amiga


PONTO UM:

“Nós vamos aí comer vocês ... ele segura e eu como”.

Essas palavras foram proferidas por um magistrado da Justiça do Estado de Santa Catarina – desembargador Jaime Machado Júnior - num ambiente de mídia eletrônica. Espalharam-se pelo país como rastilho de pólvora.

Baixaria. Grosseria. Inconveniência. Ofensa. Deselegância. Machismo barato. Etecetera...

Se tais palavras viessem de um varredor de rua - que me perdoem os garis cujo trabalho torna melhor a nossa vida - poderia se dar um desconto, ainda que desrespeitosas e indevidas, considerando o seu nível de escolaridade.

Mas vieram da boca de um desembargador, que no seu cotidiano julga a vida, a liberdade, a família , o patrimônio, os valores humanos e sociais de seus jurisdicionados.

Que legitimidade suas decisões podem exibir? Como fica uma parte que litiga pela guarda de um filho ou filha frente a tal julgador?

A Justiça - com ´J ´ maiúsculo - não merecia isso, desembargador Jaime.

PONTO DOIS:

Segundo outro vídeo viralizado, houve o perdão por uma das magistradas citadas na repugnante mensagem. Não muda nada!

Um magistrado detém um mandato outorgado pela Constituição. Um juiz não é dono do poder. É seu mandatário, agente público do poder jurisdicional, nos termos do artigo 1º (parágrafo único) e do artigo 2º, da Constituição republicana.

Sua postura, mesmo quando fora do tribunal, não pode se afastar da dignidade que o cargo e a função exigem.

Não foram cinco juízas atingidas, mas todas as mulheres do Brasil foram suas vítimas, objetificadas pelos impropérios verbais proferidos.

Senhor desembargador Jaime, também a amizade foi frontalmente atingida por suas palavras.

Amigo que é amigo não “come” amiga! Nem por brincadeira!...