“Senhores e senhoras, levantem-se!”


O jovem juiz assumira na comarca havia 45 dias, em março daquele ano - e, graças ao “arranjamento de pauta” deixado pelo colega substituto que o antecedera - as audiências só começaram a pimpongar seis semanas depois, turno da tarde. Era, então, dia da primeira solenidade processual a ser presidida pelo novel douto magistrado titular.

Os advogados e as partes foram entrando na sala, sendo surpreendidos por chamativo aviso, em letras de tamanho 72: “Em estrito respeito ao Juízo, todos deverão levantar-se no momento que o MM. Juiz adentrar a sala de audiências”.

Na conjunção, para completar o contexto de tentativa de estímulo à juizite, quando o magistrado entrava, a escrivã batia rápidas palmas e determinava em dicção pausada, e ordenatória: “Todos de pé, por G-E-N-T-I-L-E-Z-A”!

A “determinação” (?) vigorou por três dias. E já na quinta-feira, a Subseção local da OAB lançou crítica nas redes sociais, afirmando que “os advogados não estão obrigados a cumprir tal obliterada exigência”.

O cartaz oficial foi, então, substituído por outro mais moderado, de mesmo tamanho, mas ainda assim verborrágico e despiciendo: “Solicita-se, nesta sala, a manutenção de condutas desejáveis, por todos aqueles que fazem parte da solenidade”.

Os advogados locais combinados – e após instruírem seus respectivos clientes – permaneciam sentados quando o juiz chegava, mas proferindo-lhe, sempre, em tom cordial de voz, cumprimentos de “bom dia”, ou “boa tarde”. Estes eram retribuídos, pelo douto condutor da solenidade, apenas com afirmativos maneios da cabeça.

Seguiu o tititi na comarca por mais uma semana, até que a Corregedoria determinou ao juiz que mudasse de postura. Foi assim, então, que na semana seguinte, o clima nublado aparentemente se dissipou com a afixação de um outro cartaz substituto: “Todos bem-vindos à sala de audiências”.

Detalhe: o novo recado oficial de boas-vindas estava estampado, em letras tamanho 36, numa folha branca de papel A-4, medindo módicos 29 x 20 cm.

E não se fala mais nisso...