O julgamento da Lava-Jato e/ou Vaza-Jato


Após a revelação, no domingo (9), de conversas privadas que indicam a colaboração entre o então juiz Sérgio Moro e o coordenador da Lava-Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, a Corregedoria do MPF instaurou procedimento para investigar a atuação do procurador. Enquanto isso, a Polícia Federal começa a apurar as circunstâncias da ação de hacker (s).

Por ironia da história, instituições que, ao longo de cinco anos atuaram para atenuar a contaminação do Executivo e do Legislativo começam a ser expostas como contaminadas, e passíveis de desconfiança. A criatividade brasileira já batizou o acontecimento como “Vaza-Jato”.

A divulgação das mensagens impactou o Twitter não só no Brasil – 1.587.919 menções no nosso país, até as 24h de ontem – mas também mundo afora. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, 142 mil menções foram feitas até as 18 horas de segunda-feira, em outros idiomas. Tais referências se concentraram na Argentina (28 mil), EUA (11 mil) e outros países. Na América do Sul, o alcance mais baixo foi na Venezuela (2,6 mil).

Sobre as mensagens divulgadas pelo saite The Intercept Brasil, o ministro da Justiça Sérgio Moro disse que “não vi nada de mais nas mensagens – e o que há ali é uma invasão criminosa de celulares”. A seu turno, o secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten afirmou que Bolsonaro “confia irrestritamente em Moro”.

Nesta conjunção, o pedido de progressão de regime de Lula foi, rapidamente, incluído na pauta de hoje (11) da 2ª Turma do STF, pelo relator Edson Facchin. O processo estava em julgamento desde abril, no plenário virtual. Trata-se de um mecanismo em que os ministros postam os votos em um sistema eletrônico, sem a necessidade de encontro físico entre eles.

Soube-se ontem que o jornalista Gabriel Mascarenhas, repórter de O Globo, integrante da equipe do colunista Lauro Jardim, teve sua conta no Instagram invadida no dia 11 de maio. O ataque foi comunicado às autoridades no dia seguinte. Após a invasão, o hacker – se passando pelo jornalista – enviou mensagens intimidatórias ao procurador regional da República Danilo Pinheiro Dias. O criminoso também dizia que precisava falar com Deltan Dallagnol, “pois tinha informações que que a operação Lava-Jato estaria em risco”.

Ontem (10), à tarde, o presidente da OAB-RS Ricardo Breier manifestou-se avaliando que “as últimas notícias revelam graves fatos, os quais, todavia, não retiram a legitimidade das Instituições que têm por função atuar no combate à corrupção”.

O dirigente da Ordem gaúcha salientou que “não se pode olvidar o longo processo de ataque aos cofres públicos revelados em diversas ações, instruídas com diversos acordos de leniência e delações premiadas que revelaram a promiscuidade na relação de políticos e empreiteiros com o desvirtuamento do dinheiro público”.

Em manifestação oficial, por meio de nota escrita distribuída à imprensa, Breier lembrou ter 30 anos de advocacia criminal. E arrematou: “Cabe ao Poder Judiciário, quando provocado, apreciar ofensa ao devido processo legal. Na minha atividade profissional, vi e vejo relações próximas entre membros do Ministério Público e integrantes do Poder Judiciário, tanto que a advocacia precisa e tem buscado – reiteradamente – a paridade das armas no processo penal”.