Desvendando mistérios nos vestiários


Há uma abóboda de cristal blindando os vestiários, dirigentes do futebol entendem que o melhor é praticamente afastar do clube o chamado departamento de futebol.

Levei um certo tempo para entender isso.

A partir do meu ingresso na diretoria de futebol, passei a entender o excesso de sensibilidade aplicado à administração da atividade principal.

Existem ponderações a considerar na justificativa desse método. Em síntese, está o desejo de afastar o torcedor, incluído aí o conselheiro, o sócio e o dirigente de outras áreas, da eventual interferência.

Lembremos que mais de sessenta por cento dos espaços em emissoras de rádio e jornais, são voltados ao futebol em sentido amplo. Inclua-se aí a vida privada do atleta e do dirigente.

No Internacional, convivi com os casos Didi, Índio, Bolívar e tantos outras, que vão desde uma singela batida de carro, até a presença em festas. Como se diz, os “perseguintes” (jornalistas que cobrem o dia a dia), cumprem o seu papel.

Assim, é indiscutível que o vestiário represente um espaço de imunidade, devendo ser afastado os riscos, como por exemplo, dos “X-9”, apelido atribuído àqueles dirigentes que para ficarem bem com a imprensa praticam o tráfico de informações sigilosas.

Imaginem, diante da guerra por audiência, o valor de anunciar em primeira mão uma contratação.

Até aí, tudo bem.

O papel destinado a cada um dos atores deve ser fielmente cumprido, sob pena de “desandar a maionese”.

Ao dirigente cabe o papel da fidúcia e autoridade perante a comissão técnica e jogadores.

É com se diz: o clube pode até atrasar o salário, mas o dirigente deve fixar prazo para regularização e cumpri-lo religiosamente. No dizer futebolístico, se não cumprir “fica sem moral”. Essa situação também se aplica aos prêmios prometidos.

Ao técnico, que tem todo o direito de errar uma vez ou outra, mas é exigida a fidelidade e a responsabilidade pelo resultado, quando negativo.

Técnicos passaram pelo Internacional que incorreram em erro quando o time estava em uma má fase. Apontaram responsabilidade aos jogadores. Quando isso ocorre a designação aplicável é de “traíra”. Os jogadores esperam que o técnico “mate no peito”, que não faça “trairagem”.

Sobre isso, dois exemplos: o nosso eterno capitão, merecido incontestável ídolo, Fernandão, como técnico e diante de uma má fase, pressionado pela imprensa, deu a entender que os jogadores não estavam jogando bem. Caiu logo em seguida; o Murici quando perguntado acerca de um jogador após a partida onde fomos derrotados, afirmava que ele era um grande jogador razão pela poderia dar muito mais.

Nesse mesmo aspecto, lembro de uma entrevista do Guto Ferreira que, também pressionado disse ao responder a um repórter: “eu não jogo”. Também caiu.

Prometo seguir nesse tema, com outras abordagens em outros artigos, revelando por exemplo o que fazem os atletas na concentração.