O cheirinho da garagem...


Como integrante da Associação dos Servidores Aposentados da Justiça do Trabalho da 4ª Região, o advogado Deoclécio Galimberti - conceituado na profissão e no magistério do Direito - costuma ir à sede da entidade, numa rua sem maior movimento, bem pertinho do finado Estádio Olímpico. Sempre às terças-feiras, há um almoço de congraçamento. Lógico que, nessas ocasiões, a rua fica congestionada de carros estacionados.

Numa dessas idas, mais uma vez ele deixou o automóvel diante de uma garagem, imaginando que ela não seria ocupada porque – como sempre nas vezes anteriores - a calçada estava repleta de roupas secando em varais improvisados. Mas ao voltar, o advogado foi contemplado com um bilhete: “Com todo o respeito, é a quarta vez que você põe o carro na minha garagem. Se você é homem, aperta a campainha que eu vou falar com você, seu merda”.

Ele se assustou, perguntando a si próprio: “Meu Deus, será que vou apanhar?”

Mas, dentro do princípio de que “conversando a gente se entende”, achou por bem falar com o dono da casa. Preparou-se para o imprevisível, e apertou na campainha. Ninguém respondeu. Como o portão não estava chaveado, entrou e bateu na porta. Veio uma senhora que perguntou:

- Quem é o senhor?

- Agora sou o “Seu Merda” e estou às suas ordens – respondeu, exibindo o bilhete.

A revelação provocou um acesso de riso na mulher. Conversa vai, conversa vem, desculpas recíprocas, os dois terminaram cordiais conhecidos, inclusive com a autorização para “livre estacionamento nas terças-feiras”

Agora o advogado tem certeza de que, doravante, está respeitosamente autorizado a colocar o seu carro diante da tal garagem.

Até hoje, claro, a dona não o brindou com um rolo de papel higiênico...

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Sintetizado de “Lembrar é Viver”, livro de Deoclécio Galimberti, com crônicas da vida real, lançado em 22.5.2019 (Agê Editora).