Como um juiz se aposenta...


Por Carlos Alberto Bencke, advogado (OAB-RS nº 7.968)

Numa conversa aí por meados de 2016, disse-me o juiz do Trabalho de uma maneira incisiva que me surpreendeu: “Encaminhei a minha aposentadoria!”

- O quê? – perguntei, entre incrédulo e curioso.

Eu não tinha maior vivência na Justiça do Trabalho, mas sabia ser ele um juiz trabalhador e dedicado. E toquei a conversa em frente:

- E agora, quem é que tu vais passar a incomodar? A mulher em casa?

- Pois tu sabes que sempre tive um termômetro para aferir quando meu saco tinha enchido e estava na hora de pedir férias – disse-me ele.

E logo desfiou exemplos:

- Por exemplo, quando olhava para a testemunha que mentia e me vinha uma vontade louca de expulsá-la da sala, ou mandar prendê-la, estava na hora de pedir férias. Eu me dava conta, também, que se tivesse vontade de torcer o pescoço das partes que vinham com pedidos absurdos, estava na hora de eu pedir licença-prêmio.

E o magistrado completou a conversa:

- Ontem eu estava numa audiência e tive vontade de esgoelar o advogado, botar a correr as partes, prender a testemunha mentirosa, rasgar aquele processo sem qualquer nexo jurídico e jogar tudo pela janela. Entendi o aviso. Cheguei à conclusão que estava na hora de pedir a aposentadoria. Estou no meu limite.

Ele já está aposentado. E na “rádio-corredor” da OAB comenta-se que se deu muito bem nas novas ocupações.

Agora é advogado, líder carismático e mestre espiritual.