A distopia presente: o corona vírus é real!


Nos filmes distópicos, ficamos impressionados com ruas vazias e gente perambulando, infectados ou fugindo de outros já infectados. A literatura é pródiga em mostrar distopias, que são o contrário das utopias.

Por exemplo, uma distopia do poder lida em 1984, de George Orwell. Escrita em 1948 (vejam a inversão do 48 para 84), o autor mostra um mundo futurístico em que todos são vigiados pelo Grande Irmão. O protagonista Winston é o cara que muda o presente e o futuro, a partir da alteração das notícias do passado. Linguagem é mundo, mostra Orwell.

Trata-se de uma crítica ao totalitarismo, no caso, especialmente dirigido contra o regime de Stalin. Orwell tinha sido militante comunista. Algo parecido ele mostra na Revolução dos Bichos, em que os animais da fazenda se revoltam e tomam o poder.

Outra distopia é a Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, em que uma bactéria destrói os invasores marcianos. Vejam as distopias denunciadas-anunciadas pela literatura.

No programa Direito & literatura que ancoro na TV Justiça, produzido na TV Unisinos (já fizemos 379 programas), tratamos de todos esses livros e desses temas. Ainda nesta semana gravamos Epidemias e Mídia, que irá ao ar brevemente. Mas os livros que utilizamos já foram objeto de outros programas.

Outra distopia vem de um programa de Orson Wells, de 1938. Um programa de rádio encenando a Guerra dos Mundos. Quem ligava o rádio logo após o início achava que era a narração da invasão marciana. Pânico e destruição de verdade, causados pela mídia.

O que pareceria uma distopia, hoje é real com o corona vírus. Mesmo que o bispo Edir Macedo diga que é coisa do demônio e que “isso de corona vírus não é bem assim”, na dúvida ele mesmo cancelou os cultos de curas coletivas.

Bom, eis aí um paradoxo: se o culto é para cura coletiva e milagres (basta ver um dos cultos para saberem do que estou falando), qual a razão de temerem o tal vírus? O vídeo de Edir é, mas não é.

Sou mais prudente. E não acho que seja coisa do demo. O mundo destrói a natureza e ela dá o troco. Comer lagartos e morcegos e pecar na higiene alimentar pode dar nisso: uma pandemia.

Subestimá-la? Dá coisa pior. Vejam a Itália. No Brasil, domingo a praia no Rio estava cheia e o Presidente da República contrariou a sua própria equipe de Saúde. Aqui, em Porto Alegre, o Parcão encheu de gente pedindo AI-5 e quejandos. Teve um pedindo o fechamento do FGTS (queria dizer STF – nem sabe do que se trata...).

O país ardendo e tem gente querendo colocar gasolina. Vai para casa, revolucionário!

Se até o futebol parou, é porque a coisa está feia. Precisamos de acordos no Parlamento. Mas tem gente que quer fechar. O que restará do Brasil depois da crise?

Saludos. Recluso!