Coronavírus – Por que tantos casos na Itália?


A Itália está batendo o triste recorde de vítimas da epidemia Covid-19, com 1.444 mortes somente neste último final de semana. A vida está difícil na cidade de Turim, no norte da Itália. Quinta feira, 19 de março foi a última vez em que saí de carro, porque precisei ir comprar alimentos.

Às 9 horas da noite, a cidade, que é sempre muito viva nesse horário, estava vazia; parecia uma cidade fantasma e somente ambulâncias circulavam. Quando cheguei em casa, telefonei para uma amiga para desabafar e ela me contou que, na última vez que saiu de casa, não vira nenhum automóvel circulando, ultrapassara apenas dois carros fúnebres.

Nós brasileiros, assim como os italianos, temos uma tendência a questionar as regras a nós impostas (e procurar sempre um modo para ignorar tais normas quando não nos agradam) e no início da quarentena, por aqui, ninguém se preocupou muito.

Foram necessárias imposições sérias, com consequências penais para quem saísse de casa.

Hoje, infelizmente, estamos pagando um preço muito alto; temos o maior número de vítimas: 5.476 conforme os dados publicados pela John Hopkins, a Universidade americana que está monitorando a epidemia globalmente, disponibilizando informações na plataforma GitHub.( https://www.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html#/bda7594740fd40299423467b48e9ecf6 )

Como se observa nos dados de tal plataforma, parece que a letalidade do vírus aqui é mais alta: até o momento, 9,2% das pessoas diagnosticadas com o novo coronavírus, na Itália, morreram. Enquanto isso, 3,9% na China; 6% na Espanha; 1,2% na Coréia do Sul.

São muitas as teorias do porquê a Itália está liderando este triste recorde: nos jornais, alguns dizem que é porque se trata de um país com muitos idosos; outros afirmam que os jovens ficam morando com os pais anciãos até muito tarde e trazendo o contágio das ruas para casa; outros dizem ainda que é porque as regiões mais atingidas são zonas industriais, onde o nível de poluição do ar é muito alto; e por fim um dos fatores pode ser o frio, porque aqui na Itália atualmente, está terminando o inverno a temperatura permanece muito baixa.

São diversas teorias, algumas sérias, outras tantas, especulações. A realidade é que esses números dependem de muitos fatores.

Além disso, ao fazer uma proporção desse tipo, além do número total de mortes, o denominador também deve ser levado em consideração. Em outras palavras, também é necessário entender com quais critérios os testes que atestam a positividade ao vírus são realizados.

É óbvio que, quanto menos testes, menor o número de positivos, apesar da maior letalidade.

Por outro lado, quanto mais testes são feitos, mais casos positivos, menor o percentual de mortes. Por isso é difícil estabelecer se a letalidade aqui é mais alta do que será observado no Brasil nas próximas semanas.

A letalidade efetiva do novo coronavírus será determinada com precisão somente pelos epidemiologistas. No momento, continua sendo mais importante focar nas medidas de contenção da epidemia, cada um fazendo a sua parte e respeitando as regras de isolamento.

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