A generosidade é tão contagiosa quanto o coronavírus: negócios milionários por trás de doações


Chiara Ferragni, a blogueira de moda/influencer italiana, número 1 segundo a revista Forbes, lançou uma campanha para arrecadar fundos, para aumentar o número de leitos com unidades de terapia intensiva, em um hospital de Milão. Em apenas 24 horas, a campanha já tinha recolhido mais de 3 milhões de euros, provenientes de 164 mil doações. É um exemplo do poder das redes sociais e de solidariedade, em um momento de crise.

Uma inteira unidade de terapia intensiva foi construída, em tempo recorde, com os fundos obtidos através da plataforma online de “crowdfunding” ou “financiamento coletivo” escolhida por Chiara.

Assim como a Chiara Ferragni, tantas outras iniciativas tem alcançado enorme sucesso graças à generosidade de muitos. Por outro lado, há também quem está lucrando com a solidariedade dos italianos: o crowdfunding está se transformando em um grande negócio, diretamente proporcional à quantidade de dinheiro arrecadada para combater o coronavírus.

Como explicado em reportagem publicada pelo jornal italiano “La Stampa”, nem todos os casos são fraudes ou desvio de verbas; um dado importante que deve ser avaliado é o percentual do dinheiro doado, que as plataformas de crowdfunding recolhem para si mesmas.

É justo que os portais possam pagar os custos de manutenção e garantir a continuidade de seus negócios, mas também é justo que o doador saiba, exatamente, qual o percentual da sua doação será repassado para ajudar a combater o coronavírus e quanto será deixado para a plataforma online, que faz com que o dinheiro chegue ao seu destino.

Em cada oferta, há uma parte que acaba no cofrinho do portal de crowdfunding. Em alguns casos o percentual atinge 15%.

Uma startup chamada BeHonest (“Seja Honesto”), criada por um grupo de estudantes da Universidade Bocconi, de Milão, se mobilizou para verificar essas atividades. A BeHonest monitorou 676 projetos de crowdfunding, organizados na Itália, por pessoas comuns e também por celebridades e associações, que somaram aproximadamente 14 milhões de euros arrecadados.

As estatísticas que emergem do estudo da BeHonest dizem respeito aos negócios invisíveis, que se escondem por trás da solidariedade, com uma estimativa do quanto cada portal de crowdfunding recebe. Por exemplo, o saite mais popular de crowdfunding retém automaticamente 10% dos fundos angariados, mas quase nenhum doador sabe disso. Como conclusão, imagina-se que a receita, para alguns saites foi superior a um milhão de euros, somente nessas últimas semanas.

Em um momento de crise como esse, deve ser feito um apelo a essas plataformas de arrecadação: porcentagem de retenção zero! Pois estamos diante de uma situação sem precedentes e a generosidade dos cidadãos não deve ser lucrativa.