A adversidade para a entrada no mercado de trabalho


De início, gostaríamos de agradecer ao Espaço Vital a oportunidade a nós conferida. Uma coluna quinzenal, destinada especialmente à jovem advocacia, num espaço tão prestigiado pelos operadores jurídicos, nos enche de alegria e disposição para continuarmos na batalha.

O artigo “A suficiência ou a insuficiência da atenção da OAB-RS com os advogados” definitivamente atingiu grande repercussão em todo nosso Estado. Recebemos mensagens de colegas dos mais variados cantos do Rio Grande, manifestando apoio e congratulações pelo texto e pela abordagem. O próprio Espaço Vital confirmou o sucesso da iniciativa, afirmando estar o texto entre os vinte textos mais lidos deste ano, além de ter recebido uma enxurrada de comentários dos leitores.

Por certo que as angustias vivenciadas nesse período sombrio não dizem respeito exclusivamente aos jovens advogados. Praticamente todos os colegas vêm enfrentando dificuldades para o exercício pleno da profissão. E os comentários enviados à redação do EV são prova disso.

Contudo, é certo também que os jovens advogados enfrentam essas dificuldades de forma multiplicada. Pelos mais variados motivos (e que também serão abordados nas próximas publicações neste espaço).

A adversidade para a entrada no mercado de trabalho. Posteriormente para a consolidação no mercado. A incerteza quanto ao nicho de mercado para atuar. As dúvidas quanto aos honorários advocatícios (quanto cobrar, como cobrar). O preconceito enfrentado por ser jovem. A labuta diária nos balcões dos cartórios judiciais. O desprestígio do advogado frente aos serventuários da justiça. Enfim, tudo isso para o jovem profissional é sem dúvida muito difícil.

E por tais motivos é que a OAB deve atenção especial à advocacia jovem. Um comentário enviado ao EV, por um colega advogado, nos chamou atenção. Afirma o prezado colega que a jovem advocacia é a que menos tem razão de reclamar da OAB, pois inclusive já é beneficiada com a anuidade reduzida. Além disso, assevera que é necessário que todos façam algo pela entidade, que já faz um trabalho de excelência em prol dos advogados.

Nós mesmos, após escrevermos o artigo que tanto repercutiu, nos questionamos: mas reclamar sentados, dentro do escritório, é fácil né?... Quer mudança? Vai lá e faz. Concorre a algum cargo e tenta implementar essas "novas" ideias.

Confessamos que também pensamos assim num primeiro momento. Porém, é evidente que esse pensamento é um tanto equivocado. A um: não houve reclamação nossa alguma, e sim, um pedido de respostas à classe. A dois: novas ideias, de pessoas novas, normalmente carecem de amparo dos mais vividos. A primeira coisa que se escuta é ´Você é muito novo, você não tem experiência, você não sabe como funcionam as coisas aqui dentro´...

A advocacia está sim clamando por mudanças e por respostas da Ordem. Por medidas efetivas e práticas, que de fato adentrem e afetem o cotidiano do advogado. Que diminuam as incertezas e as inseguranças pelas quais os advogados vêm passando.

Para finalizar: na sexta-feira passada (22) o CNJ publicou mais uma portaria, prorrogando até o dia 14 de junho a paralisação do Judiciário, enquanto todos os demais setores caminham para a normalidade. A propósito, apropriamo-nos de uma mensagem enviada por um colega em um grupo de WhatsApp: “Falências administradas em doses homeopáticas, de meio em meio mês!”.

Na sexta, dia 12, aqui estaremos novamente. Enviem sugestões. Escrevam, comentem, etc. O e-mail da coluna é ajovemadvocacia@gmail.com

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Leia na base de dados do Espaço Vital:

ØA suficiência ou a insuficiência da atenção da OAB-RS com os advogados”

Ø “Remeter R$ 8,5 milhões anuais para o CF-OAB, ou dar mais atenção aos jovens advogados gaúchos?”