Vem aí livro de 400 páginas: o sistema político do Brasil e a corrupção


[1ja] Conhecimento de causa

 

O ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ) começou os retoques finais para o livro que, pela Editora Matrix, lançará em março próximo. Ao longo de 400 páginas, traçará um retrato do sistema político do Brasil desde a República Velha. Contará também como esse sistema abre espaços para o ação e/ou o resultado de corromper-se. Ainda falta definir o título da tramoia.     

Poucos - ou até mesmo ninguém no Brasil - escreveriam melhor do que Cunha, justamente sobre corrupção. Mas o copy-desk poderia ser Sérgio Cabral - que também entende do riscado.

 

[2ja] Mensagem de leitor

 

O desembargador Emilio Papaleo Zin, do TRT-4 (RS), enviou mensagem apontando equívoco - quanto a ele - na publicação do EV de sexta (30) sobre os números do passivo da corte. Ao invés dos 943 mencionados, os processos que - pela estatística de setembro, aguardam julgamento em seu gabinete - são 643, e não 943.

Repetindo, então, a atualização já feita ontem (2), às 9h no Espaço Vital:

“Os números do passivo do TRT-4 estão disponíveis em link indicado no final desta página. Por ele é possível verificar que apenas cinco desembargadores respondem por 4.399 processos “em estudo”, lentos, ou atrasados, ou paralisados. São: Cleusa Regina Halfen (1.236), Maria Silvana Tedesco (1.142), Roger Ballejo Villarinho (769), Emilio Papaleo Zin (643) e Maria Helena Lisot (609).

Esse acumulado em cinco gabinetes corresponde a 25,5% das pilhas dos atrasos. Há uma singularidade: a presidente da Corte, Cármem Izabel Centena González, tem uma carga de 425 processos; destes, 416 estão com os prazos estourados - segundo a cartilha do CNJ.

Impressiona positivamente constatar que a desembargadora Angela Rosi Almeida Chapper tem apenas 50 processos pendentes. Pelas tabelas disponíveis, é o melhor desempenho na corte”.

Acesse as tabelas diretamente no portal do TRT gaúcho. Clique aqui.

 

[3ja] ´Excelência aceita algo?´

 

Mergulhado em crise total, o Rio de Janeiro está há 70 dias sem governador. Eleito com discurso moralista, o ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC-RJ) é acusado de desviar verbas da Saúde na pandemia. Mas ele é ímpar. Enquanto ex-comparsas mofam em Bangu, ele desfruta de doce exílio no Palácio Laranjeiras. Divide o ócio com a esposa advogada, três filhos e o gato Elvis, que se estica sobre o mobiliário Luís XV.

Mesmo alijado do poder, o governador segue usufruindo benesses pagas pelo erário. Há sempre um garçom de prontidão para manter-lhe o copo cheio. Ele alterna goles de uísque com baforadas de charuto cubano.

É que tem a seu favor decisão do juiz Marcello Leite, da 9ª Vara de Fazenda Pública carioca: enquanto o impeachment não for sacramentado, Witzel poderá permanecer na residência oficial. Na conjunção, mordomias oficiais são bem-vindas.

 

[4ja] A importância de Kassio

 

Estará nas mãos de Kassio Marques - que toma posse no STF na quinta-feira (5) - definir se a condenação de Lula no tríplex do Guarujá será, ou não, anulada, caso Sergio Moro seja declarado que era suspeito para julgar o ex-presidente.

Na 2ª Turma, com Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski votando a favor da suspeição, e Cármen Lúcia e Edson Fachin contra, o novel ministro será o voto decisivo.

A “rádio-corredor” da OAB-DF irradiou uma dúvida: não sabe se mais pesarão as boas relações de outrora, de Kassio com o PT, ou o bom trânsito com Jair Bolsonaro agora.

 

[5ja] ´O povo não suporta´...

 

A esposa do desembargador Luiz Gonzaga Brandão de Carvalho, do Tribunal de Justiça do Piauí, foi assaltada sob a mira de um revólver. Maria Zilda, 62 anos, teve seu Fiat Toro levado, com vários pertences, em Teresina, no sábado (31).

Por meio da imprensa, Brandão fez um rogo à magistratura brasileira: “Conclamo todos a que fechem as portas da liberação para habeas corpus  de bandidos perigosos que atacam a dignidade humana, o patrimônio e a vida alheia”.

O desembargador também se dirigiu à Secretaria de Segurança: “Tal como a população clama, faço um apelo para viaturas nas ruas e policiamento ostensivo, pois o povo não suporta mais tamanho descaso”.

 

[6ja] Luxo para poucos

 

O empresário espanhol Johnny Ortiz - um expoente da indústria de jogos na mídia internacional, radicado no Brasil - colocou à venda sua mansão (terreno com 4 mil m2), em São Paulo. A pedida: R$ 180 milhões.

E há um interessado: é João Alves de Queiroz Filho, dono da Hypera Pharma. Esta é a maior empresa farmacêutica brasileira em termos de receita líquida e capitalização de mercado. Seus líderes de venda são Adocyl, Apracur, Atroveran, Coristina, Engov e mais uns 30.

Entre os dois ricos falta negociar se (e quantos?) imóveis de Queiroz entrarão como parte da transação.

A comissão de corretagem (6%) renderá a bagatela de R$ 10,8 milhões a um bem sucedido corretor.

 

[7ja] 2.501 viagens

 

A 8ª Câmara Criminal do TJ do Rio negou, na quinta passada (29)  o pedido de habeas corpus que pretendia trancar a ação penal em que o ex-governador Sérgio Cabral e a sua ex-esposa e ex-primeira dama Adriana Ancelmo são acusados de usar helicópteros do Estado para... extravagantes 2.501 viagens pessoais.

O portal especializado Fly Flapper informa que uma transportadora aérea normalmente calcula seus custos fixos e variáveis e impõe uma pequena margem sobre isso. Assim, o custo por hora de aluguel de um helicóptero varia, no Brasil - ao câmbio em reais - de US$ 800 a US$ 1.920 por hora. O preço médio fica em US$ 1.360. 

Ponderando que tenham sido justamente 2.501 horas voadas, a conta projetada - ao câmbio de sexta passada (30) - chega a R$ 3.401.360. Mais um prejuízo deixado pelo ex-casal Cabral & Ancelmo.

        

[ja!] Negócio de bilhões

 

Claro, Tim e Vivo - unidas em consórcio - vão comprar a área de telefonia celular da Oi, por R$ 16,5 bilhões, no leilão que será realizado neste mês. Apesar de ter, há quatro meses, conversado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica sobre como será a divisão do ativo, o trio ainda não formalizou o tema.

Recebidas as planilhas, o CADE terá 240 dias para dar um veredito. Ou seja, o rolo da Oi tem vida possível até junho de 2021.