A autoridade 51


No município interiorano comemora-se o cinquentenário de sua fundação. O ponto alto dos festejos é um baile. Chegam da capital e participam os filhos ilustres da região, bem como as autoridades locais: o juiz, o prefeito, o padre e o delegado.

Quando o magistrado adentra ao recinto do baile, observa um tumulto: um cidadão embriagado - vestindo traje completamente impróprio para a ocasião - tenta entrar.

O "bebum" e um dos seguranças do clube dialogam aos berros:

- Me deixa entrar!...

- Não pode!

- Por que?

- Só entra quem tiver ingresso e estiver trajado de acordo, ou for autoridade.

- Eu sou a maior autoridade da cidade, mais do que o juiz!

- Pois saiba que aquele ali é o juiz Doutor Justiniano, diretor do foro e amigo da sociedade.

- Eu seu disso. Foi ele quem prendeu e depois soltou o Zé das Cuias, aquele sujeito sem-vergonha que matou o Chico Timbu. Já eu, quando prendo alguém não solto de jeito nenhum!

Intrigado, o segurança pergunta:

- E quem tu és?

- Tu não me conheces porque és novo na cidade. Eu sou o coveiro desta droga de cidade aqui!

O sepultador de humanos é levado, então, para fora do recinto, mediante cuidados safanões...

Logo que liberado, na praça fronteira - com “recomendações” para que não retorne ao clube - o ´bebum´ tira do bolso uma garrafa.

O rótulo (51) acaba com qualquer controvérsia.