Mãe biológica e avó paterna


Jônathas e Alfredo (nomes fictícios) nasceram e cresceram homens e foram sempre vizinhos na mesma cidade. Aos vinte e poucos de idade - com a mudança dos costumes e a alteração de conceitos - ambos resolveram viver a parceria de uma relação homossexual, sem cirurgia de redesignação sexual ou transgenitalização.

Dois anos depois, quiseram o que, em outros tempos, seria impossível: ter um filho biológico.

O espermatozóide de Jônathas foi cuidadosamente implantado no ventre de Dona Margarida (nome também fictício), mãe de Alfredo; a gestação deu certo e a gravidez prosperou.

Então nasceu um menino filho de duas pessoas do gênero masculino, gestado pela senhora, recém quarentona, que é mãe de um e sogra do outro. A distinta e corajosa senhora, assim, é mãe biológica e avó paterna.

Mas um escritório titulado por um advogado - que é transexual – cuidou das intercorrências civis do menino, para que no registro cartorial ele constasse como tendo dois pais e nada mais.

Deu tudo certo na tramitação. “Coisas da genialidade da ciência, de genialidade da argumentação jurídica e de genialidade processual cível” - contou a “rádio-corredor” da comarca, sem entrar nas minúcias protegidas pelo sigilo processual.

Detalhe: a criança chama-se Eugênio.