E agora, José?


O futebol é repleto de surpresas, mas emite sinais que permitem prognósticos. O Coudet - aquele que deixou inúmeras viúvas por aqui - fez o time colorado jogar, mas não convenceu, utilizando uma mecânica de jogo incompatível com a realidade daquilo que encontrou. Enfim, ele foi apontado como um treinador moderno e isso assanhou alguns “experts”.

Mas de tudo que fez, o pior foi o seu desprezo pelo clube que o trouxe – arrumou suas coisas e virou as costas. Não venham as viúvas choradeiras dizer que ele saiu porque o plantel era “corto”.  Com plantel “largo” até eu, cara pálida!

Ouvi de um profissional do futebol que respeito, ponderações consistentes: os gringos trazem consigo uma tropa de outros gringos, se fecham, pois efetivamente desconfiam do grupo e da estrutura.

Sai o moderno e vem o antigo, o nosso Abel Braga, o Abelão que, em termos de Internacional, conhece tudo e todos. Homem experiente com as cicatrizes deixadas pela vida, acompanhado do respeito e do descrédito de alguns. Não esperavam muito dele, apenas que terminasse aquilo que o moderno, revelando medo e oportunismo profissional, deixou para trás.

Abel fez o time jogar recuperando jogadores e dando oportunidade para outros da base. Em resumo: está muito perto de dar ao Internacional um título que não conquistamos desde 1979.

Logo ali, terminado o campeonato, teremos à frente o acerto prévio da direção com o Miguel Ángel Ramirez, outro gringo, também uma promessa que não conhece a aldeia e nem os caboclos. Não há dúvida que serão necessários no mínimo três meses até que ele tome pé da situação e, se der certo, conquiste o vestiário. Soma-se a isto o julgamento pessoal a ser feito pelos atletas - eles estão jogando pelo Abel e considerarão uma “trairagem” a sua substituição em meio a festa.

Uma decisão difícil!

Então, lembrei dos versos de Carlos Drummond de Andrade:                      

                              E agora José?

                              A festa acabou,

                              A luz apagou,

                              O povo sumiu,

                              A noite esfriou,

                              E agora José?

                             E agora você?