A revelação da bola de cristal


Em meio ao isolamento, o título mais parece coisa de série da Netflix. Em um outro momento, aqui no Espaço Vital, relatei o episódio protagonizado pelo Abel Braga à véspera da decisão do mundial com o Barcelona, no Japão, em 2006.

O clima era tenso e no café matinal era visível a preocupação com aquilo que para muitos parecia impossível: bater o Barça. Quebrando o silêncio que emoldurava a cena, entra no refeitório o Newton Drummond, o diretor executivo de futebol do Internacional, avisando que estava indo para a reunião com a FIFA, onde seriam definidos os detalhes para a partida final. Na reunião, estariam presentes os representantes dos clubes, os da entidade máxima do futebol - FIFA - e os dos patrocinadores e promotores.

Surpreendentemente já no primeiro ponto, sem respeitar o sorteio anteriormente havido, foi comunicado ao Newton que o Internacional jogaria com a segunda camiseta, enquanto o Barcelona com a primeira – começava a pesar o poder do adversário.

No hotel todos ainda aguardavam no salão do café, onde o Newton retornando inconformado e revoltado com a manobra dos organizadores que desrespeitaram o que estava previamente definido, comunica que “o Internacional que jogaria com a camiseta vermelha, jogará com a branca”.

O recado daquele episódio foi um só: a pretensa disputa seria apenas um rito de passagem que culminaria com a colocação das faixas no poderoso e imbatível Barcelona FC.

Aqui começam as interpretações possíveis acerca da reação do Abel.  Ele ergue a cabeça e proclama: “Seremos campeões mundiais!”. E explica: “...Passei a noite sonhando com o nosso time de camiseta branca colocando as faixas. O que não fechava era jogarmos com as vermelhas. Agora fechou tudo!”

Alguns preferem atribuir à clarividência do Abel. Eu imputo à sua inegável inteligência: transformando aquilo que era negativo em verdadeiro combustível para a vitória. Fez com que o time acreditasse no que parecia impossível aos olhos do mundo.

Foi do Abelão a ideia da tríplice coroa, utilizada durante algum tempo no nosso emblema.

Esse é o Abel, um líder capaz de grandes sacadas, capaz de contaminar com a sua vontade os demais.

Domingo, a primeira possibilidade de conquista do título brasileiro! Vamos lá, acreditemos que é possível pois já derrubamos gente maior que o Flamengo.

São inúmeras as dificuldades adicionais para o enfrentamento, mas temos o Abel.

Sonha Abel e transforma a realidade!