Verbo ´googlear´: a questão da cobrança de faltas e a lapidação


O jornal O Globo deu como descoberta da pólvora: rareiam os gols decorrentes de cobranças de faltas. Céus. Que notícia! Faltou só o repórter escrever o texto com foto dele atrás de uma barreira.

Eis aí um problema bem atual, não o da falta de gols: o problema de, antes de escrever uma matéria, dar um google. Ou seja, googlear... Há gente que já pesquisou? Tem pessoas que já escreveram sobre isso?

Aqui mesmo no Jus Azul, escrevi duas vezes. E em outros veículos. O problema da ausência de bons cobradores de faltas. Falava disso com o falecido Beto Campos. Outro dia aconselhei o seu filho, William Campos, técnico iniciante e já campeão gaúcho pelo Santa Cruz, o Galo Carijó: treine cobranças de faltas!

Em O Globo esse assunto foi pautado. Faltou só proporem a extinção da barreira. Aliás, lembro que, há muitos anos, a FIFA, preocupada com a falta de gols, propôs o aumento da goleira...

À época, escrevi uma carta aos dirigentes fifenses,  fazendo uma proposta alternativa: em vez de aumentar a goleira, por que não proibir goleiros com mais de 1m60 de altura? Sarcástica a minha proposta. Mas para combater bizarrices, nada melhor do que o sarcasmo.

A questão dos cobradores de faltas, raça em extinção, se deve aos novos “professores” que tratam da preparação física. Já não se treina cobrança de faltas. Ah, pode sobrecarregar o joelho... Ah, pode acelerar lesões... Ah, vão se afumentar.

Perguntem aos grandes cobradores de faltas como fizeram para bem cobrar faltas? Treinaram. Depois do treino, ficavam até a noitinha. Usando barreiras de madeira.

Hoje é tudo controlado por computador. Fisiatras. Planilhas. Tablets. Treinar que é bom, nem falar. E ninguém fica treinando nem cruzamentos para a área. Por que será que agora virou moda cobrar escanteio para um colega ao lado? Por que já não sabem cruzar uma bola que não seja no primeiro pau, com o que iniciam o contra-ataque?

Outra coisa que virou moda: ah, a bola é que tem de correr. Concordo. Mas isso não quer dizer que tem de ficar tocando a bola para trás. Quantos gols surgem de bola roubada?

Ainda: goleiro nos pênaltis tem a mania de querer adivinhar o canto. Desastre. Por isso os goleiros do Grêmio não pegam pênaltis. Pelé dizia: goleiro que quer adivinhar o canto diminui em mais da metade as chances de pegar um pênalti.

E assim vai o futebol. Gol de falta virou material de luxo. Tiger Woods tem uma frase: “Quanto mais eu treino, mais eu venço”. Bingo. Elementar.

Se os técnicos ficassem 45 minutos depois do treino (no caso do Grêmio, depois do rachão) treinando cobranças de faltas, com barreira de madeira, poderiam, quem sabe, começar a usar essa velha arma que, há tempos, deixava o adversário com o coração de mão: céus, uma falta na frente da área. Meio gol, dizia-se.

Mas tudo isso se perdeu. Fisiatras e quejandos tomaram conta do talento.

É como a mania da torcida chapa branca do Grêmio de bajular Renato e dizer que os jovens têm de ser lapidados. Vi de novo essa lorota nas redes. Querem cascudos. Bah!

Campeonato Gaúcho? Bah! Inter é líder. Por pontos ganhos. Hum, hum. Mas, mesmo que não fosse, a IVI daria um jeito de noticiar até mesmo um segundo lugar.

Minha tese que não falha: o Grêmio deveria fazer tudo ao contrário do que a IVI e os chapa-brancas dizem. É batata. Não falha.