Juiz que mandou soltar o próprio filho diz que decisão não foi “aberração”


No Piauí, o juiz Noé Pacheco de Carvalho, da 1ª Vara da comarca de Floriano, a 200 km de Teresina - que livrou o próprio filho da cadeia - disse que não houve “aberração” na decisão. Ele justificou: “Entre defender a toga e meu filho, vou defender ele”. As informações são do G1.

Lucas Manoel Soares Pacheco, o filho do magistrado, se envolveu  num acidente que deixou uma mulher ferida e foi autuado por lesão corporal culposa e embriaguez ao volante. Em declarações ao Fantástico, da TV Globo, o juiz destacou que “o menino foi levado para o distrito policial e era um caso de liberdade provisória, como réu primário, com bons antecedentes, foi um acidente sem maiores consequências, assumi todos os riscos e concedi a liberdade, mas apliquei medidas cautelares”.

Carvalho ainda afirmou que tomaria essa decisão em outras situações semelhantes e não tomou a atitude apenas por ser seu filho. Ele declarou que “não foi aplicada a fiança nesse caso, pois o rapaz não tem renda própria”.

O magistrado ainda ponderou que “a família não tem obrigação de pagar fiança se a pessoa não dispõe de renda própria. A lei diz que concede-se liberdade sem fiança e mediante outras medidas cautelares – e isso foi feito a ele e se faz para toda e qualquer pessoa em Floriano, nas mesmas circunstâncias, não tendo havido privilégio nesse sentido”.

O juiz Floriano avançou na defesa familiar: “Temi pela própria integridade física do garoto. Imagina você botar o filho de um juiz na mesma cela de outra pessoa sabendo que aquele rapaz é filho do juiz. Entre defender a toga e defender um filho meu, ainda prefiro defender um filho, principalmente vendo que, nas circunstâncias, eu estava diante de uma situação em que era permitido. Estou preparado para tudo, não vou baixar a cabeça, no dia que essa toga não me pertencer mais, não vou morrer também” – concluiu.

A Corregedoria-Geral de Justiça abriu um procedimento para apurar “eventuais irregularidades” na decisão do magistrado.

A Associação dos Magistrados do Piauí (Amapi) afirmou que está acompanhando o caso para garantir o direito à ampla defesa do juiz.