Leonardo Lamachia advogado e Leonardo Lamacchia cantor - Espaço Vital
Marco Antonio Birnfeld 123ja 2023 V2

Leonardo Lamachia advogado e Leonardo Lamacchia cantor

Google Imagens / Edição EV
Leonardo Lamachia advogado e Leonardo Lamacchia cantor


O advogado, o cantor e o tilt...

Um tilt no Google Imagens no domingo (4), à noite, fez com que se descobrisse a existência de um homônimo do conhecido advogado Leonardo Lamachia, presidente da OAB gaúcha. O sistema de buscas disponibilizava simultaneamente, embaralhadas, diversas fotografias do cantor italiano Leonardo Lamacchia, um participante de sucesso, todos os anos, no tradicional Festival Di San Remo. Esta é uma comuna italiana da Província de Impéria, com 51 mil habitantes. Estende-se por uma área de 54 km quadrados.

A homonímia é a qualidade, ou condição de homônimo. É uma relação entre vocábulos (ou flexões destes) que, embora com significados e origens diferentes, apresentam a mesma forma gráfica ou fônica. É também a identidade de nome entre pessoas, sem que haja necessariamente laço de parentesco entre elas.

Ah! E tilt é uma gíria de internet. É usada para definir quando um jogador é surpreendido por algo negativo em uma partida e isso faz o seu desempenho no jogo cair. Ou quando uma busca embaralha palavras parecidas.

Um player que está "tiltado" às vezes toma decisões ruins em sequência. E um jornalista desatento pode até publicar uma fotografia de Leonardo Lamacchia (cantor), como se fosse o Leonardo Lamachia (advogado).


Mais jovial

O ministro João Otávio de Noronha, 67 de idade, chegou ontem renovado ao STJ. Fez sucesso entre colegas e servidores.

A causa justa: uma cirurgia nas pálpebras, etc. que o levaram a postar no Instagram seu entusiasmo: “Não acreditava que pudesse ficar mais bonito (...) a aparência ficou mais natural e jovial”.

Nas redes sociais circulam fotos e vídeo do “antes” e do “atual”.


A rotina da corrupção

Segundo o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da Transparência Internacional (TI) o Brasil piorou dez posições em 2023, ficando na 104ª colocação entre 180 países, com 36 pontos abaixo da média global (43), das Américas (43) e dos Brics (40), bem abaixo do G-20 (53) e da OCDE (66). Nosso país está distante da sua melhor pontuação (43) na série histórica em 2012.

Trata-se de um índice de “percepção”, mensurado em enquetes com especialistas, acadêmicos e empresários. O resultado parece paradoxal. Após os dois grandes escândalos recentes (o mensalão e o petrolão) não há indícios de outros esquemas de afano dessa magnitude.

No que se refere à corrupção e à democracia, o Brasil é uma imagem invertida de Singapura. À frente da Suécia e da Suíça, no ranking da TI, Singapura é um dos países menos corruptos do mundo, mas não é uma plena democracia; seu escore no Índice da Freedom House é idêntico ao de Moçambique e Gâmbia.

O relatório que escancara a corrupção no Brasil gerou protestos. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, atacou: “A Transparência Internacional de transparente só tem o nome”...

No Brasil: a intolerância em relação a abusos autoritários e violação de direitos aumentou, enquanto a reação contra a corrupção diminuiu. O que se observa não é a prática direta da corrupção, mas o enfraquecimento brutal e sistemático de seu combate.


Se o Brasil reduzisse o crime...

Na semana passada, o Brasil assistiu nas tevês um exemplo clássico da violência afetando a economia. Na rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, um empresário teve sua loja de equipamentos eletrônicos invadida. Vítima de um centro inseguro, calculou o prejuízo em R$ 300 mil e decidiu fechar o estabelecimento.

Em 10 anos, a quantidade de empresas despencou, ali,  de 15 mil para 2,5 mil, de acordo com o presidente da União Santa Ifigênia, comerciante Fabio Zorzo.

O panorama nacional é parecido. A insegurança tem custado caro ao desenvolvimento brasileiro. O PIB do país poderia crescer 0,6% a mais ao ano se o nível de criminalidade recuasse para o índice da média mundial - revela um estudo conduzido pelo FMI.


Maior e... menor

O peso dos lucros de negócios e de outros ganhos fica cada vez maior no PIB, enquanto a porção dos salários e contribuições dos trabalhadores vem caindo no Brasil desde 2017.

Em 2016, a renda dos assalariados chegou ao pico: 44,7% do PIB. Desde então, caiu abaixo de 40%, afastando o Brasil do perfil das economias mais desenvolvidas e evidenciando a alta desigualdade.

Segundo o PIB medido pelo IBGE pela ótica da renda - que divide a economia entre capital e trabalho - essa fatia chegou a 39,2% em 2021, último dado disponível, e que foi o menor desde 2004.

Não há perspectivas de recuperação.