Rombo de R$ 230,5 bilhões em um ano de governo - Espaço Vital
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Rombo de R$ 230,5 bilhões em um ano de governo

Rombo de R$ 230,5 bilhões em um ano de governo
Imagem RBS TV

As contas do Governo Federal fecharam 2023 com um rombo de mais de R$ 230 bilhões. Os números são do Tesouro Nacional. No ano passado, os gastos federais foram maiores que a receita, causando o chamado déficit primário. Os exatos 230 bilhões e 500 milhões de reais correspondem a 2% do PIB (que é o conjunto de riquezas produzidas pelo país em um determinado período). Foi o pior resultado do Brasil desde 2020, ano em que começou a pandemia da Covid.

O déficit de 2023 foi maior que a projeção do Orçamento aprovado pelo Congresso – que era de um resultado negativo de até R$ 228 bilhões.

O rombo também superou a última projeção do governo, de novembro de 2023, que estimava um déficit de R$ 177 bilhões. E derrubou a projeção do ministro da fazenda, Fernando Haddad, de um rombo de até 100 bilhões ou 1% do PIB.

O espantoso montante também deu um tilt no programa Bom Dia, Rio Grande, da RBS TV. O apresentador Josmar Leite preparava-se para comentar as capas de jornais da RBS de quarta-feira (31). A primeira era a do jornal Zero Hora, mas equivocadamente na edição do dia anterior (30 de janeiro), que apareceu totalmente. Percebe-se então que Josmar recebe um aviso pelo ponto eletrônico, vacila durante alguns segundos e informa que “a gente vai retificar isso”.

Entram, então, os comerciais. E no retorno ao estúdio não se fala mais em capas, muito menos no rombo. E os bilhões saíram da pauta jornalística.

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Saldo de emprego cai 26,3%

O Brasil gerou 1.483.598 empregos formais em 2023, segundo dados do CAGED divulgados pelo Ministério do Trabalho. Em comparação com os 2.013.261 postos criados em 2022, o saldo ficou 26,3% menor. O resultado de 2023 decorreu de 23.157.812 admissões e de 21.774.214 demissões.

Foi o segundo pior resultado desde 2020 – quando houve uma mudança na metodologia, com o início de uma nova série histórica. Em dezembro, o saldo ficou negativo em 430.159 vagas, após a criação de 125.027 postos em novembro.


Brasil cai no ranking da corrupção

A atuação dos três Poderes e fatores como (a) o desrespeito à lista tríplice para a Procuradoria-Geral da República; (b) investidas contra a Lei das Estatais; (c) o avanço do Centrão sobre o Orçamento levaram à piora do Brasil no ranking de percepção de corrupção da Transparência Internacional.

No primeiro ano do governo Lula, o país ficou na 104ª colocação entre 180 nações avaliadas — dez posições abaixo do alcançado no ano anterior. A nota brasileira ficou em 36 pontos, dois a menos que o contabilizado em 2022, de acordo com dados divulgados ontem pelo movimento global com foco nessa agenda.


Cassação de Moro?

O desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, do TRE do Paraná, liberou ontem para julgamento as duas ações que pedem a cassação do senador Sérgio Moro por abuso de poder econômico nas eleições de 2022.

O magistrado determinou que os processos sejam incluídos na pauta na “primeira data possível”. A presidência do TRE-PR designou a sessão para o dia 19 de fevereiro.


Crítica às indicações de Zanin, Dino e Gonet

A Transparência Internacional divulgou documento em que critica a nomeação de Cristiano Zanin e Flávio Dino para o STF, além de fazer ressalvas à nomeação de Paulo Gonet para a PGR. Nesta terceira situação, porque Gonet não foi escolhido respeitando a lista tríplice da ANPR.

De acordo com a instituição, há no governo Lula uma negligência no “resgate da autonomia do sistema de Justiça”.


Mais corrupção

“Não há de ter causado surpresa a piora acentuada do Brasil no mais recente ranking de percepção da corrupção divulgado pela Transparência Internacional. Na relação de 2023, o país perdeu dez posições e apareceu na desonrosa 104ª colocação, entre 180 nações avaliadas. A trajetória do indicador brasileiro corrobora a impressão de que as expectativas sobre a prevenção e a punição dos crimes do colarinho branco atingiram o pico em 2014. Naquele ano fora deflagrada a Operação Lava Jato, na esteira do julgamento do mensalão, que condenou à prisão figuras antes tidas como intocáveis pela lei penal. Já no fim da década passada, o escore do Brasil havia baixado para o nível em que se arrasta desde então”. (Editorial da Folha de S. Paulo, edição de 31 de janeiro).


Ainda corrupção

Levantamento do escritório Lefosse mostra que a Lei Anticorrupção, que completou dez anos, gerou 2.740 processos. Pouco mais da metade (54%) foi julgada.

Do total, um terço dos processos resultaram em condenação.

Houve 24.458 sanções administrativas contra empresas. A maior parte (11.147) ficou impedida de contratar com o poder público por prazo determinado. Outras 10.991 foram suspensas e 961 autuadas. As multas somaram R$ 1,1 bilhão.

Os acordos de leniência somaram R$ 25 bilhões. No entanto, pouco foi pago. As empresas pleiteiam agora a repactuação dos valores por “abusos da Lava Jato”. É o caso da J&F, que acertou, em 2017, R$ 10,3 bilhões, desembolsou R$ 580 milhões, e agora tenta reduzir outros R$ 3 bilhões do valor inicial.


Elas por elas

O novo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, deve ter ao menos seis mulheres no primeiro escalão de sua equipe direta. Elas devem ocupar secretarias e diretorias da pasta.  Os nomes devem ser anunciados oficialmente na cerimônia de posse, no Palácio do Planalto, marcado para esta quinta (1°).

Algumas delas, como a advogada Sheila de Carvalho, do Comitê Nacional para os Refugiados, já integravam o ministério, e serão deslocadas para novas missões.

Um dos desafios do governo Lula é aumentar o espaço das mulheres em cargos estratégicos.

Na cerimônia em que anunciou o novo ministro, o presidente afirmou que a primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) tinha a expectativa de que Lewandowski nomeasse muitas mulheres para a pasta. O novo ministro respondeu: “Certamente”.