“Vivi um show de horrores”, diz Daniela Teixeira sobre a sabatina no Senado - Espaço Vital

“Vivi um show de horrores”, diz Daniela Teixeira sobre a sabatina no Senado

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“Vivi um show de horrores”, diz Daniela Teixeira sobre a sabatina no Senado

Feminista há três décadas, Daniela Teixeira, 51 de idade, dirigente da OAB durante alguns anos, e advogada até se transformar na recém empossada ministra do STJ, contou na última revista Veja que a sabatina dela, no Senado, foi um “show de horrores”. E relatou um dos episódios ocorridos no gabinete de um senador: “A senhora está no lugar errado” – disse o “anfitrião” já no primeiro momento.

Ela chegou a achar que havia sentado em poltrona trocada, mas logo escutou a bílis verbal complementar: “Lugar de mulher é em casa, cuidando dos filhos”. E por aí o anfitrião prosseguiu...

Eis outras passagens da entrevista concedida à jornalista Maiá Menezes.

Agitar a bandeira feminista causa espanto em uma corte superior?

- “Na verdade, o problema está na composição dos tribunais, majoritariamente masculinos no Brasil. Sabemos que o juiz só é totalmente imparcial no fantástico mundo de Alice. Por isso, precisamos de um olhar feminino nas cortes. Como disse durante minha campanha, estava disputando a cadeira em nome de todas as mulheres”.

A escolha de dois homens, Cristiano Zanin e Flávio Dino, para o STF a incomodou?

- “Deveria chamar a atenção de todos o fato de no Supremo haver hoje uma única ministra. Antes de ser nomeada, não achei adequado me manifestar. Poderia soar oportunismo. O fato é que nunca escondi minha militância pela presença de mais mulheres no Judiciário. Seguirei nessa luta, mesmo sabendo ser tão difícil quanto empurrar um elefante morro acima”.

Sua nomeação teria sido uma espécie de compensação pela escassez de quadros femininos no poder?

- “Você pega uma mulher, coloca ali no STJ, e pronto, a cota está resolvida e todo mundo feliz... Minha nomeação nem de longe encerra a questão. A última mulher a ingressar no STJ (Regina Helena Costa) foi nomeada há uma década. Teremos de esperar esse tempo todo por outra indicação feminina numa das mais altas cortes do país? Não adianta entrar aqui e ficar quieta. Sempre deixei minha posição clara”.

Enfrentou preconceito enquanto brigava pela vaga?

- “Foram cinco horas e meia em que o machismo estrutural revelou sua face. Mais chocante é perceber que esse é o sentimento da população que elegeu aqueles representantes”.

Uma corte conservadora como o STJ está disposta a se debruçar sobre questões identitárias?

- “Ela é conservadora, sim. Não peguei um único caso de injúria racial até agora. Trata-se de uma distorção. Racismo é crime inafiançável, mas quase ninguém está sendo processado por isso, mesmo com a ocorrência diária de casos”.

É a favor de cotas para mulheres e negros no Judiciário?

- “Sim. Quando estava na OAB, eu, uma branca de olhos verdes, levei a proposta de termos 30% de cotas para negros e 50% para mulheres nas diretorias regionais. Deu certo. Acredito que esses temas estarão cada vez mais presentes. É um avanço”.

E a reação...

Senadores da Comissão de Constituição e Justiça informaram nesta segunda-feira (11) que ingressarão no Conselho Nacional de Justiça com representação contra a ministra Daniela Teixeira. Eles se irritaram com a entrevista, que está sintetizada na nota acima.

Eles são 27 titulares e 27 suplentes. A intenção dos parlamentares é que Daniela prove a afirmação. E, se não o fizer, que seja punida pelo órgão. (Supõe--se que ela não tenha gravado).