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Edição de terça-feira , 11 de dezembro de 2018.

Quase Dia dos Namorados no foro!



Gerson Kauer

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Onze de junho, véspera do Dia dos Namorados, audiência de conciliação em comarca grande do interior gaúcho. A esposa (de afazeres domésticos, separada de fato) busca formalizar a pensão alimentícia para os filhos e quer 30% a mais do que o valor oferecido pelo marido.

- Ela está querendo muito, sempre foi ambiciosa. Assim não vai sobrar nada pra mim – afirma o homem, que é pequeno comerciante e astuto vereador.

- Não é muito não, doutor, ele pode pagar, porque como todo político tem caixa 2. E, afinal, eu fiquei com três filhos para criar – responde a mulher.

- Três filhos não! São dois! – rebate o homem, já avermelhando.

- São três! – insiste a mulher.

O juiz folheia os autos, para esclarecer a controvérsia.

- Minha senhora, pela petição inicial e certidões juntadas, vejo que são dois os filhos havidos no casamento.

- Eram dois até o mês passado, mas é que fiz um exame esta semana e descobri que estou grávida, por isso estou gordinha. Vai nascer no final de dezembro – a mulher fala baixinho, falando com ternura.

O silêncio na sala dura meio minuto, enquanto os litigantes trocam ternos olhares.

- Grávida mais uma vez - e por que não me contaste!? – o homem questiona, num misto de estupefação e alegria.

- Já estavas fora de casa e achei que ficarias brabo. Mas o filho é nosso! – explica a mulher.

O homem coça o queixo e faz uma ponderação típica de político ligeiro.

- Bem, excelência... acho que advogados, juízes e promotores chamam isso de fato novo, não é? Peço, então, que o senhor suspenda o processo para que a gente tente se entender.

- É isso que a senhora quer? Reconciliar com o seu esposo e esperar junto com ele o nascimento do novo bebê? – pergunta o magistrado.

A mulher sorri afirmativamente.

- E os senhores procuradores, têm algo a dizer? - questiona o magistrado.

- Em briga ou paz de marido e mulher, eu é que não vou meter a colher! – brinca o defensor do réu, parafraseando o ditado popular.

- Constato a expressão de felicidade de minha cliente - reconhece o advogado da autora.

Audiência encerrada, os cônjuges saem de mãos dadas. Uma semana depois ingressa a petição conjunta de desistência da ação.

O amor é lindo!


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