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Edição de sexta-feira , 14 de dezembro de 2018.
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As gestões do Inter sob suspeita



Arte de Mila Cristal sobre foto E-Konomista.pt

Imagem da Matéria

Um fim aos santos de barro que vicejaram impunemente

Segundo foi noticiado pela imprensa, o Ministério Público do RS aprofundou as investigações acerca da gestão administrativa do Internacional, no período anterior ao atual.

As inconsistências em diversas operações contratuais que foram apontadas, anteriormente por um relatório de auditoria externa e, após, confirmadas pela análise de uma comissão de conselheiros do clube, segundo notícias, foram reconhecidas nas investigações preliminares do MP.

Agora, parece que ingressaram em campo minado.

As maiores operações financeiras em um clube de futebol estão rigorosamente vinculadas ao futebol. Isso eu alertei da tribuna do Conselho Deliberativo. À época ponderei que a análise das operações financeiras ocorridas no futebol são complexas e, quase sempre esbarram no dito “direito ao erro do dirigente”. Assim, nutrido pela paixão dos torcedores e pela vontade de vencer, pode parecer aos menos avisados que tudo é justificável em termos de contratações de atletas profissionais.

Façamos um modesto exercício de memória. Em um piscar de olhos é possível aos mais dedicados torcedores, aqueles que conhecem e lembram da nominata de todos os jogadores que passaram pelo Inter, quais deles surgiram e meses depois desapareceram como fumaça.

Aos associados do clube nunca foram prestadas as contas relativamente ao tamanho do rombo orçamentário que decorreu da diferença entre os valores aquisitivos e os do descarte, muitas vezes até gratuito.

Há no Inter alguns mitos que precisam ser desfeitos, sob pena de perenizarmos a incompetência travestida pelo sucesso em algumas competições.

Como em qualquer atividade é forçoso compararmos o que deu certo com o que deu errado. Até poderemos em um determinado período encontrar acertos e, ou, o equilíbrio entre acertos e erros. Quando a realidade vertida dos fatos é esta estaremos diante do imponderável, característica indelével ao futebol.

Mas não é essa realidade que emerge por mais de uma década de administração no futebol do Inter.

Reconheço o valor dos dirigentes que construíram grandes momentos de vitória. Todavia não os isento das grandes responsabilidades pelas tristes e vergonhosas derrotas que produziram profundas mazelas na nossa história. Seja pelo descaso, pela incompetência ou pela soberba construíram momentos de sofrimento e de vergonha para a torcida.

Mostraram-se inábeis ao afirmarem publicamente, sem nenhum dado da realidade, que o pior não ocorreria.

Pois bem, quis a ironia do destino que as mesmas mãos as quais são imputadas responsabilidade pelos grandes momentos, conduzissem o futebol do Internacional, também nos piores momentos. As rotinas administrativas e negociais do futebol se repetem há muitos anos, assim como as demais.

Sempre defendi que as investigações fossem além dos limites da gestão que nos levou à segunda divisão do futebol brasileiro. Como já disse, elas foram sequenciais, repetitivas e lesivas.

Muitas vezes contas absolutamente temerárias obtiveram aprovação por influência de composições políticas de ocasião.

Há muita coisa a ser esclarecida no Internacional. Fracioná-las significa sepultá-las, alforriando alguns que têm muito para explicar.

Eu, por minha conta e responsabilidade, gostaria muito de colaborar com a atividade do MP, jamais para prejudicar o clube, mas, apenas, para pôr fim aos santos de barro que vicejaram impunemente.

Tenho 28 anos como conselheiro e mais de uma década como vice-presidente. Ofereço-me para tanto.

Por ora, apenas conclamo a imprensa especializada em matéria esportiva, bem como aqueles torcedores que detêm maiores conhecimentos do plantel, à elaboração de um rol contendo os nomes de todos os jogadores contratados por aqueles que estavam à frente da administração do clube e do futebol, desde o início das suas atividades, os valores das transações de entrada e de saída dos atletas do Inter, considerando todas as categorias.

Afirmo, com certeza, que a listagem falará por si só.

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- Roberto Siegmann escreve Jus Vermelha às sextas-feiras. Contato: roberto@SiegmannAdvogados.com.br

- Lênio Streck escreve Jus Azul às terças-feiras. Contato: lenios@globomail.com


Comentários

José Henrique Mendonca Ossig - Aposentado 03.03.18 | 20:20:01

Concordo plenamente. Sou conselheiro há um ano. E é um absurdo a forma como os conselheiros votam nas decisões. Votam por movimento político. Não pensam no melhor para o Inter. Este assunto somente foi parar no MP. Fato inédito em um clube de futebol no Brasil. Porque está havendo um renovação do conselho. Assim quando votar no final do ano olhe bem nos componentes dos movimentos e seus projetos.

Marcelo Vilani - Advogado 02.03.18 | 11:17:45
Interessante, se estás há 28 anos como Conselheiro do Clube, apenas neste momento queres colaborar com o MP?
Muito fácil jogar gasolina no fogo.
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