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Edição de terça-feira , 20 de agosto de 2019.

O sapo advogado



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Numa das seccionais da OAB pipocam reclamações sobre a propaganda advocatícia das performances e badalações de determinado profissional da advocacia. O presidente da entidade e seu assessor mais próximo se conectam no Youtube e, perplexos, veem hilárias cenas gravadas.

Entre elas, a da festa natalícia do advogado, e seus quase 400 convidados. Tem também a da propaganda institucional do escritório, em que estagiárias, assessoras e jovens advogadas – todas vestindo pretinhos básicos – entoam, em coral, loas ao chefe.

Em louvor ao homenageado, escutam-se – com a moldura de sonoros acordes – caprichados versos que retroagem às primeiras incursões dele nos bancos universitários. De relance, uma moça de pernas cruzadas, exibe bem torneadas coxas.

O assunto ricocheteia na “rádio-corredor” da Ordem, cujo locutor titular – de voz empostada – é criativo ao comparar os fatos reais com a fábula “O Sapo e o Boi”.

Narra que “no ano 555 antes de Cristo, o fabulista Ésopo, grego de nascimento, dá a conhecer a biografia de um sapo advogado - apelidado Lawyer Frog - que coaxa ao lado do rio, quando vê um boi se aproximar para beber água”.

Invejoso, o batráquio arrota aos amigos que “breve vou ficar do tamanho desse bovino, passando a ser, em visibilidade, o principal espécime do reino animal – e por isso vou sortear um automóvel grátis, por ano, entre vocês”...

Todos duvidam, mas o sapo começa a inflar o pescoço e as bochechas, mesmo ante o desdém do pato, do rato e da capivara. E o Doutor Frog vai aumentando de tamanho. Em vão, uma hiena ainda suplica: “Para com isso!

E tanto o sapo estufa a barriga e o peito, que estes explodem como balões de gás. Ocorre, então, o óbito.

Uma ativa conselheira da Ordem dos Advogados avalia, extra autos, “tratar-se de um conjunto das mais indignas propagandas advocatícias que temos visto em todos os tempos, além de claro assédio moral contra as pobres empregadas convocadas a recitar rimas em louvor do chefe”.

- É nisso o que dá não se conformar com o que se é... - avalia, cauteloso, o presidente da corporação advocatícia, determinando que “se faça sigilo no processo ético” – afinal, o estatuto canhestro prevê, corporativamente, a tramitação sem publicidade.

Se o caso, um dia, chegar ao Supremo, ali talvez o decano Celso de Mello lembre a todos que “os estatutos do poder e da ordem, em uma República fundada em bases democráticas, não podem privilegiar o mistério, nem legitimar o culto ao segredo”.

Só assim, talvez no futuro - se Madame Tartaruga deixar – tenhamos a confirmação do nome civil do sapo brasileiro.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentários

Paulo A P Cordeiro - Advogado 28.03.18 | 09:49:24

A propaganda é mesmo tacanha. Tão logo a OAB tomou conhecimento, agiu, o que repercutiu inclusive internacionalmente. Infelizmente a Casa recebe muito menos denúncias e especialmente colaborações do que precisa/ ainda assim, o presidente vem, silenciosa e incansavelmente, trabalhando com coragem em favor dos honestos. Deveria ser manchete o esforço, traduzido por exemplo em decisão judicial contundente, mais uma vez, contra contra um irregular contumaz, na Justiça Federal. Estamos à disposição.

Rogério Teixeira Brodbeck - Advogado 27.03.18 | 14:14:13

O nome do coleguinha é conhecido de todos os que receberam a vinheta pubilcitária via WhatsApp, não há segredo nenhum...Só quero ver o que fará a Comissão de Fiscalização da OAB/RS a respeito...

Osni Jose Alves - Advogado 27.03.18 | 13:51:31

Sou da opinião que o Estatuto da Ordem, no tocante ao Códio de Ética, proibindo aos advogados a publicidade dos seus serviços e especialidades é atrasado e retrógrado. Precisa ser urgentemente alterado, possibilitando aos causídicos que possam, assim como os demais profissionais (médicos, dentistas, engenheiros, etc..), fazer publicidade do seu escritório e de suas habilidades. Deixo claro que sou também veementemente contra a publicidade enganosa, mentirosa e de escracho como a citada.

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