Ir para o conteúdo principal

Edição de sexta-feira , 21 de dezembro de 2018.

Exagero na relação conjugal



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Meia-noite de uma sexta-feira, Sua Excelência e a esposa – ele cinquentão, ela quarentona - tentam apimentar o relacionamento sexual. Por isso combinam que ela, em decúbito ventral, será algemada num dos decorativos vãos da cabeceira da própria cama do casal. Tudo, então, corre em normalidade.

Mas, uma hora depois, no momento de soltar as amarras - algo dá errado. O douto homem faz tentativas, usa uma faca, um garfo, emprega até mesmo uma tímida serrinha de cortar madeira. Tudo em vão, a mulher segue firmemente presa. Eles decidem esperar o amanhecer para pedir ajuda. Três ou quatro horas angustiosas passam lentamente.

São, então, 7 horas da manhã quando os dois chegam a um consenso. O homem, então, dispara uma ligação. Do outro lado da linha, a telefonista do 190 parece não acreditar:

- O senhor prende a sua mulher na cama e está nos pedindo ajuda para soltá-la? – questiona a cabo PM.

Com a insistência do homem e, a convincente confirmação do pedido pela própria mulher no celular, a telefonista direciona a solução, mas faz uma advertência:

- Vamos despachar uma guarnição ao local, mas o casal fica advertido de que haverá prisão em flagrante se isso for um trote.

Dez minutos depois, com a chegada de dois PMs, o inusitado se confirma. As algemas são visíveis. A esposa, vestindo peça única, está imobilizada, mãos entrelaçadas acima da cabeça, mas firmemente presas à cabeceira. A mulher denota também estar constrangida.

O soldado usa uma chave universal, própria para abrir algemas e logo solta a mulher. Antes de se retirarem, os policiais perguntam se ela pretende representar contra o homem. A resposta é tranquilizadoramente negativa.

Ao encerrar a ocorrência – cujo atendimento prático não dura mais do que dois minutos - o sargento liquida com qualquer controvérsia:

- Avalio que foi uma relação íntima exagerada, e afasto totalmente a hipótese de cárcere privado – diz, pelo rádio da viatura, ao oficial que está na chefia no centro de operações.

Na segunda-feira seguinte, o comandante do batalhão – no uso de suas atribuições – determina que o caso seja tarjado como sigiloso.

E não se fala mais nisso...


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Chargista Kauer

A “Menina Veneno”

 

A “Menina Veneno”

Bem vivido, bom de bolso graças à consistente aposentadoria recheada de interessantes penduricalhos, o destacado ex-operador jurídico, viúvo, boa pinta -  se é que isso é possível para um cidadão com 70 de idade -  afinal sai com uma moça escultural, bem malhada, 24 anos.  De comum, entre eles, só o Direito.

Charge de Gerson Kauer

  O enterro da sogra que não morreu

 

O enterro da sogra que não morreu

A inusitada abordagem no plantão judicial forense. Como autorizar o funeral de uma provecta idosa, de aparência taciturna, que – como manifestação de última vontade - deseja ser sepultada no sítio em que reside? O texto é de Dirnei Bock Hendler, servidor judicial estadual (RS)

Charge de Gerson Kauer

A fama do João Grande

 

A fama do João Grande

Era uma ação penal contra um homem que estaria ofendendo e ameaçando a ex-esposa. As desavenças ocorriam porque ela postava, nas redes sociais, que o ex-marido vivia sempre na casa do João Grande, famoso na cidade gaúcha por ser bem-dotado.

Charge de Gerson Kauer

O gaúcho caloteiro

 

O gaúcho caloteiro

A difícil intimação de um fazendeiro, já conhecido no meio forense, como o Senhor Caloteiro. O êxito da diligência só acontece porque, no esconderijo, o devedor é acometido de coceira causada por urtiga.

Charge de Gerson Kauer

   A experiência dos velhinhos

 

A experiência dos velhinhos

Segundo a cartilha do banco, os saques mínimos no atendimento presencial seriam de R$ 200. Saiba como a idosa senhora - mãe de um advogado e avó de um estagiário do tribunal - convenceu o caixa de que ela tinha direito líquido e certo a sacar apenas R$ 50.

Charge de Gerson Kauer

Quando o suposto amor vira negócio

 

Quando o suposto amor vira negócio

O cliente, à hora da saída do motel, acelera o carro, derruba a cancela e se vai em desabalada fuga. Saiba porque, em Juízo, o tresloucado gesto do homem comove o juiz e obtém simpatia do dono do estabelecimento de hospedagem.