Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira , 20 de agosto de 2019.

Barbatimão jurídico



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Na semana passada, na comarca de entrância final, em processo de divórcio litigioso, o estagiário – que sempre faz minuciosos projetos de sentença - deparou-se, estupefato, em meio às petições, com uma confidência que um dos advogados da causa fizera à sua dileta noiva.

Além de outros quejandos, um trecho revelava assim: “Por ser rica em taninos, a casca do barbatimão é fortemente adstringente, sendo reconhecida pelo uso familiar, que dela fizeram prostituídas mulheres para reparar a relaxação dos órgãos genitais, e para fingirem possuir o que os seus primeiros desacertos fez com que elas perdessem para sempre”.

O texto seguia na tentativa de convencimento: “Basta uma consulta em blogs sobre o mundo vegetal para saber que o barbatimão é considerado a ´casca da mocidade´ ou o ´amigo da mulherada´. Ele é recomendado, dentre outras coisas, para restaurar a virgindade ou coisa apertada que o valha”.

Surpreso com a revelação que logo lhe foi comunicada pelo estagiário, o sempre presente juiz orientou aquele a que convidasse o advogado a comparecer rapidamente no gabinete, “a fim de esclarecer o mal-entendido”. A visita deu-se no mesmo dia e o inquinado trecho da petição foi mostrado ao profissional.

Este desculpou-se, agradeceu pela consideração e se explicou. Na hora, de próprio punho, o advogado requereu que “face ao manifesto erro de copia/cola, seja tarjado todo o trecho compreendido entre a 1ª e a 14ª linhas da sétima página da peça de memoriais (fls. 205)”. Assim, foi feito.

Antes que deixasse o gabinete, impropriamente o advogado resolveu falar mais, como se pretendesse justificar algo: “Doutor, essa especulação de que o barbatimão teria o poder de até recuperar a virgindade remonta ao tempo dos índios. Mas em tempos modernos, não passa de balela – pode crer”.

O juiz apenas estendeu a mão, sinalizando que o assunto estava encerrado e que havia chegado a hora da despedida.

Falastrão, o advogado ficou conhecido, na “rádio-corredor” forense pela alcunha de Doutor Barbatimão.

E só se fala nisso.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
Leia na base de dado do Espaço Vital · Os riscos do “copia e cola” sem revisão posterior


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

Páginas da vida com segredo de justiça

 

Páginas da vida com segredo de justiça

O réu de uma ação penal por assalto é universitário, com matrícula trancada por falta de dinheiro para as mensalidades. Chegara a trabalhar como auxiliar contábil. Mas desempregou-se em decorrência do fechamento de uma indústria. A “primeira vez” dele como assaltante terminou sendo a redenção para que, dando a volta por cima, voltasse à faculdade e concluísse o curso de Direito.

Charge de Gerson Kauer

Para medir o tamanho ´daquilo´...

 

Para medir o tamanho ´daquilo´...

Treze de agosto de 2018, hoje está fazendo um ano. A frustração do consumidor que - após encomendar na internet, e pagar por um aparelho que o tornaria “um amante imbatível” - recebeu uma enorme e maldosa lupa. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke. 

Charge de Gerson Kauer

“Quero comer filé”

 

“Quero comer filé”

Na audiência de uma ação de divórcio, a surpreendente mudança de decisão do homem: “Estou velho, não vou conseguir mais uma companheira como ela. Prefiro comer filé com os outros do que carne de pescoço sozinho”. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Charge de Gerson Kauer

A sátira embutida

 

A sátira embutida

Na oitava folha da apelação de 12 laudas, o advogado - inconformado com a superficialidade da prestação jurisdicional – digitou um recado: “Como somos tratados como pamonhas, é pertinente informar que uma gostosa receita da famosa iguaria oriunda do milho verde está disponível na internet”.

Charge de Gerson Kauer

Vá ler o CPC, doutora!

 

Vá ler o CPC, doutora!

“Após extravasamento verbal, o juiz jogou à mesa um exemplar do ´CPC Comentado´, com uma sugestão em altos decibéis: ´Leia o Código, Doutora´. Em gesto igual, devolvi-lhe o livro e retruquei no mesmo alto tom de voz: “Leia você o CPC e a CLT, pois quando você entrou na faculdade, eu já andava por aqui, há anos”. O texto é da advogada Bernadete Kurtz (OAB-RS nº 6.937).