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Edição de sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019.
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A sentença condenatória de Neymar



Chargista DUM – www.HumorPolitico.com.br

Imagem da Matéria

A experiência de vestiário revelou-me a atração que os atletas de futebol provocam à mídia. Não é por acaso. Seguramente mais de sessenta por cento dos espaços são dedicados à cobertura do esporte.

Lembro de uma ocasião em que um jogador do Internacional havia sofrido um acidente que resultou em um ferimento na mão, provocado por um copo quebrado. Detalhe: ela estava de folga.

Na entrevista coletiva, quando me dei conta, estava diante de um arremedo de tribunal de inquisição. Comentários acerca do estado civil do jogador, indagações quanto ao ambiente no qual estaria, etc.

Utilizando uma figura, apontei a necessidade da consideração do padrão médio de comportamento e não os dos extremos. No caso do Internacional, o atleta em questão participou de grandes e inesquecíveis conquistas. Lembro de ter sido criticado ao afirmar: “Isso aqui não é time do seminário e nem pode ser o do presídio”.

Neymar Jr. tem 26 anos e, graças ao seu inegável talento, tem muito sucesso, inclusive financeiro. Tem fama, convivendo com o estrelato. Frequenta bons lugares, convive com mulheres bonitas e é constantemente assediado, inclusive pela mídia.

Com a Copa, descortinou-se um julgamento público do jogador: suas tatuagens, seus penteados, seu estilo de jogar, etc., embora ele siga à risca o padrão estipulado pela própria mídia. Não descuidemos de que ele é o resultado de uma sociedade global que precisa consumi-lo. Além do futebol, ele faz girar a “roda da fortuna” dos grandes negócios vinculados.

Neymar é diferente de Romário, Ronaldinho, Ronaldo Fenômeno, Maradona e tantos outros? Para refletir, tentei retroagir me transportando para os meus 26 anos, mas com a fama, prestígio e dinheiro dele. Seria muito diferente dele? Eu não garanto, ainda mais se ponderarmos acerca das dificuldades sociais que enfrentou.

O atleta de futebol não pode ser analisado à luz daqueles que praticam o esporte para o lazer. Sei o quanto ele deve ter se dedicado, treinando, participando de competições, etc. O julgamento do Neymar não pode ser realizado com as mesmas exigências aplicáveis aos netos da Rainha!

O que me importa, pois não o desejo como gênero, é que jogue futebol e isso ele está fazendo e bem. Evoluindo muito a considerar o seu afastamento e período de recuperação.

No mais, quanto às simulações de faltas, confesso que não vejo o futebol como uma ilha de virtudes. Lembro da famosa “mano de Dios”, do Brasileirão de 2005, dos dirigentes da FIFA, das confederações, de alguns clubes, dos empresários, dos “tribunais esportivos”, e das negociatas com as grandes redes de comunicação...


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