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Edição de sexta-feira , 14 de dezembro de 2018.
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Ah! Se eu jogasse como ele!...



Arte de Camila Adamoli sobre caricatura do Google Imagens

Imagem da Matéria

Não economizo palavras para elogiar o futebol do D´Ale, um dos ídolos da nação colorada. Tanto é assim que à época que exerci a vice-presidência de futebol atuei na renovação do seu contrato.

Os seus 10 anos no Internacional significam que passou por cinco gestões presidenciais, com identidades bem distintas e que confiaram no seu profissionalismo e trabalho. Em todo esse período o seu protagonismo foi no campo, e não na política.

Não há restrições para que um atleta, ao concluir a sua carreira, ingresse na vida política da agremiação, seguindo os caminhos estatutariamente previstos, muito embora os exemplos de sucesso não sejam muitos.

Os seus dez anos vinculados ao Internacional, foram comemorados em uma demonstração de profundo envolvimento com a comunidade colorada e com a sua elogiável obra social em favor dos desassistidos.

Elogiável, significativo e memorável.

Há apenas um aspecto que foge à regra e, portanto, a tradição dos clubes. Aproveitando os holofotes e microfones das festividades, D´Ale afirmou que continuará no Internacional, dependendo de quem for eleito presidente, apontando claramente a sua preferência pela atual diretoria.

Esse fato compõe um quadro desenhado por outras manifestações igualmente perigosas. Quando o time no primeiro semestre realizava uma campanha sofrível, conselheiros teceram críticas acerca do risco e da necessidade de providências. Exerciam o papel a eles reservado: ser a voz da torcida que também estava indignada.

Em uma relação de causa e efeito, as críticas geraram um eficaz resultado. Significativas alterações foram promovidas na estrutura diretiva e os resultados começaram a aparecer.

Pois bem, o nosso D´Ale respondeu diretamente, acusando os conselheiros, embora ele também tenha melhorado em muito a sua performance em campo. Paralelamente, o atleta representou perante a Comissão de Ética do Conselho em face das declarações de um conselheiro, o que é inédito na história do Inter e talvez do futebol.

Repito: há um papel para os jogadores, empregados do clube, regidos pela CLT e pelas disposições contratuais e outro àqueles que integram a estrutura orgânica, marcada pela natureza representativa.

Membros da diretoria e candidatos não fardam, não entram em campo, não marcam gols, não dão passes precisos como os do D´Ale, encantando a massa colorada. Assim, o D’Alessandro não deve e não pode ingressar em um terreno que não é a ele reservado. Não é adequado colocar-se como um cabo eleitoral privilegiado, interferindo nos destinos políticos do Internacional, inclusive porque, obviamente, possui interesses contratuais particulares.

Qual seria a sua opinião sobre a gestão de um orçamento anual de aproximadamente R$ 300 milhões? Sobre a profissionalização do clube? Quanto à gestão das categorias de base e tantos outros aspectos que desbordam das quatro linhas?

Ele não tem o direito de substituir, sob a ameaça de descontinuidade do vínculo, a vontade coletiva do quadro social.

Bem, mas não cabe a mim polemizar com um atleta em área que não lhe pertence. O que preocupa é a permissividade da atual diretoria e a desastrada estratégia de marketing eleitoral.

Alguém tem dúvida quanto à perigosa combinação no conteúdo das declarações do nosso espetacular jogador? É claro que não! Esse é o risco.

Com o indevido protagonismo político, há risco de quebra da estrutura hierárquica, da necessária harmonia entre os atletas, cujo foco deve ser o do bom desempenho no futebol, etc.


Comentários

Eberton Escher - Aux. Exportação 04.08.18 | 23:11:23

Só acho que cada um se coloca e se posiciona do jeito que quer... Penso que a direção atual está no caminho certo; agora...mudar teríamos um atraso no processo ... então deveríamos nos unir para seguir na mesma direção....se não vai atrasar nos títulos... 

Sergio Araujos - Aposentado 03.08.18 | 11:57:08
Qualquer empregado contratado pelo regime da CLT, pelo que sei, tem o direito de trabalhar com quem bem quiser. É livre escolha e isto se aplica também ao atleta profissional. De outro lado, vivemos numa democracia onde as pessoas são livres para exporem suas opiniões sendo responsáveis por omiti-las. Foi-se o tempo em que o jogador de futebol era um alienado. Muitas pessoas ainda preferem jogadores que só falam mediocridades e não se posicionam sobre questões relevantes.
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