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Edição de sexta-feira , 07 de dezembro de 2018.

Uma causa de R$ 1,1 bilhão por câncer causado por agrotóxico



Benoit Tessier, Google Imagens

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Possíveis riscos para a saúde humana estão colocando em xeque um dos agrotóxicos mais populares do mundo. Na sexta-feira passada (10), a Justiça dos EUA condenou a Monsanto a pagar ao jardineiro Dewayne Johnson, 46 de idade, US$ 289 milhões (aproximadamente R$ 1,1 bi – pela média do câmbio, nesta semana). O julgado pune “o aparecimento de um incontrolável câncer relacionado ao uso do herbicida Roundup, cujo princípio ativo é o glifosato”.

A empresa - adquirida recentemente pela Bayer por US$ 63 bilhões - é alvo, no mundo todo, de cerca de 5,5 mil ações semelhantes; destas, 400 tramitam em foros estadunidenses.

No Brasil, uma decisão da 7ª Vara da Justiça Federal em Brasília determinou a suspensão do registro de todos os produtos com o glifosato, até que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conclua os procedimentos de reavaliação toxicológica.

Os números do glifosato são impressionantes. De acordo com a ação sentenciada no Estado da Califórnia (EUA), o herbicida gerou receitas de US$ 7,24 bilhões apenas no ano passado.

No Brasil, relatório publicado, este ano, pelo Ministério da Saúde, informa que em 2014 (última estimativa disponível) foram comercializadas 488,4 mil toneladas de glifosato. Isto representa 31,45% do mercado total de defensivos agrícolas. O Ibama também coloca o glifosato como o agrotóxico mais vendido no país, com volumes mais de três vezes maiores que o segundo da lista, o herbicida 2,4-D (dados de 2016).

A condenação aplicada nos EUA foi “por não ter a Monsanto informado sobre o perigo do seu herbicida Roundup” e “ter esse produto estado na origem de um cancro no jardineiro”. A doença é irreversível, Dewayne pode resistir por um ou dois anos.

Segundo a sentença, ele era “o encarregado pelo combate a pragas", de animais e plantas, numa escola em Benicia, pequena cidade da Califórnia. Desde 2012, para o combate, Dewayne utilizou Roundup e depois a versão mais poderosa RangerPro.

Lançado em 1974, o glifosato foi considerado seguro por décadas, mas novos estudos, a partir de 2010, questionaram aquela avaliação. Em março de 2015, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês), ligada à Organização Mundial da Saúde, classificou o ingrediente como “provável agente carcinogênico” para humanos.

Além do risco de câncer, agrotóxicos provocam intoxicação, sobretudo na população rural que lida diretamente com essas substâncias. Segundo o Ministério da Saúde, foram 13.982 casos de intoxicação ano passado - 12% a mais do que em 2016.

O Sistema de Informação sobre Mortalidade contabilizou 492 óbitos no Brasil, por envenenamento em 2016.

Contraponto

Em comunicado, a Monsanto afirma entender “o anseio do senhor Johnson e de sua família em busca de respostas, mas o veredito judicial não muda 800 estudos e análises científicas que apoiam a conclusão de que o glifosato não causa câncer”.

A companhia informa ainda que “apelará e continuará a defender o produto, que tem um histórico de 40 anos de uso seguro e continua a ser uma ferramenta vital, eficaz e segura para os agricultores e outros”.

Sobre a decisão da Justiça brasileira, a Monsanto defende que o glifosato é "ferramenta vital para a agricultura do país, ajudando os agricultores a controlar plantas daninhas de forma eficaz, sustentável e segura".


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