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Edição de sexta-feira , 07 de dezembro de 2018.

Alguns componentes do espetaculoso caso Cancellier



Jair Quint /UFSC/Divulgação

Imagem da Matéria

O velório, na UFSC, do reitor afastado Luis Carlos Cancellier Olivo, na UFSC, em 3 de outubro de 2017.

  O reitor Luis Carlos Cancellier de Olivo foi preso pela Polícia Federal, na chamada Operação Ouvidos Moucos, na manhã de 14 de setembro de 2017. Ele estava sendo investigado, sem saber, pela delegada Érika Mialik Marena, ex-coordenadora da Operação Lava Jato, em Curitiba, e depois, da Ouvidos Moucos, em Florianópolis.

  A suspeita sobre o reitor, que tinha 59 de idade e nenhum antecedente criminal, era a suposta tentativa de obstruir uma investigação sobre desvios no programa de educação à distância – feita, principalmente, por um apontado desafeto, o corregedor-geral da UFSC, Rodolfo Hickel do Prado, integrante da Advocacia-Geral da União em Santa Catarina.

  No depoimento que prestou no inquérito da PF, o próprio Prado contou sua contrariedade por Cancellier, em medida administrativa de redução de custos, ter cortado uma gratificação de R$ 1 mil. A delegada nem sequer cogitou que poderia haver possibilidade de retaliação pessoal.

  A prisão foi espetaculosa. Segundo a própria PF, 115 policiais foram mobilizados para prender Cancellier e outros seis professores da UFSC. No dia da prisão, a PF anunciou, em seu saite, que a Operação Ouvidos Moucos combatia “desvio de mais de R$ 80 milhões”. Esse valor - como depois explicou a delegada Érika - era o total de repasses do Ministério da Educação para o programa de ensino à distância ao longo de dez anos (2005 a 2015), quando Cancellier não era o reitor (só o foi a partir de maio de 2016).

  No mesmo dia 14 de setembro, depois de depor na PF, o reitor foi levado, como se condenado, para a penitenciária de Florianópolis. Teve os pés acorrentados, as mãos algemadas, foi submetido, nu, à revista íntima, vestiu o uniforme de presidiário e ficou em uma cela na ala de segurança máxima. Cardiopata, passou mal, e foi examinado e medicado por seu cardiologista. Trinta horas depois, a pedido do advogado Hélio Rubens Brasil, uma juíza federal relaxou a prisão.

  Dezoito dias depois, 2 de outubro, Cancellier, 59 de idade, se matou, atirando-se do sétimo andar de um shopping de Florianópolis. “A minha morte foi decretada quando fui banido da universidade!!!”, escreveu Cancellier em um bilhete que deixou. Cinco dias antes da tragédia, o próprio reitor descreveu, em O Globo, a revolta que o dominava: “A humilhação e o vexame a que fomos submetidos há uma semana – eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina – não tem precedentes na história da instituição” – relatou.


Comentários

Antonio Ivanir G. De Azevedo - Advogado 31.08.18 | 10:59:59

Fatos deploráveis que, espero, ninguém invente de converter em um filme "baseado em uma história real", porque é demasiado escabroso. Pergunto: a delegada processou aqueles que se insurgiram e a criticaram pelo fato; mas, e o que foi feito pelo abuso? Apenas 115 profissionais treinados, para prender um professor? Onde vamos com isso?

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