Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira , 20 de agosto de 2019.

Relações sexuais proibidas por determinação do MP



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

(*) Resumido a partir de conto escrito pelo juiz Antônio da Rocha Lourenço Neto (TJ-RJ).Publicado originalmente em “A Justiça Além dos Autos”, editado pelo CNJ (2016).

Na audiência de uma ação de interdição de cunho parcial, estão presentes a interditanda (esposa), o autor (marido), o advogado deste, o perito médico e a promotora de justiça. A pauta é ouvir aquela senhora cinquentona que sofreria de um problema psiquiátrico moderado.

Tudo transcorre normalmente até o momento em que a interditanda, encabulada, dirige-se ao juiz:

- Posso falar direto com a promotora?

- Sim, pode – concorda o magistrado.

Há um hiato e, então, diz a interditanda:

- Doutora, eu sei que a senhora proibiu o meu marido de ter relações sexuais comigo, ele me falou. Mas agora eu estou melhor. Gostaria que então ele fosse autorizado a fazer amor comigo, estou necessitada, quase subindo pelas paredes.

Há um silêncio sepulcral. A promotora denota uma expressão desconcertada e apressa-se em esclarecer:

- A senhora está enganada. Eu nunca falei que o seu marido deixasse de fazer amor com a senhora. É invenção dele! Talvez seja até mera desculpa...

O autor/marido, desorientado e sem jeito balbucia para a esposa:

- Depois eu explico, ?ca quieta...

Com feições de contrariedade, a promotora atalha:

- Se eu fosse a senhora exigiria do seu marido que faça amor, o dia todo. Eu nunca conversei com ele, e não existe isso de proibir marido e mulher de terem relações íntimas.

A interditanda conclui com delicadeza:

- Agradeço à senhora pelo esclarecimento. O meu marido deve ter entendido mal.

O juiz rende-se à espontaneidade da situação e pergunta à representante do Ministério Público se quer que se consigne a recomendação na ata de audiência, o que dá azo a que sorrisos verdadeiros pipoquem. Mas, a?nal, nada daquilo é digitado no termo.

No fórum, sabe-se que o marido vem prestando contas dos valores que recebe em nome de sua esposa. E que, sobre os valores, a promotora segue exercendo vigilância constante e implacável.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentários

Neusa Saatkamp - Advogada 12.09.18 | 18:31:10

Diante de tal fato, seria razoável cancelar a interdição, visto que o interditado é que deveria ser o marido.

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

Páginas da vida com segredo de justiça

 

Páginas da vida com segredo de justiça

O réu de uma ação penal por assalto é universitário, com matrícula trancada por falta de dinheiro para as mensalidades. Chegara a trabalhar como auxiliar contábil. Mas desempregou-se em decorrência do fechamento de uma indústria. A “primeira vez” dele como assaltante terminou sendo a redenção para que, dando a volta por cima, voltasse à faculdade e concluísse o curso de Direito.

Charge de Gerson Kauer

Para medir o tamanho ´daquilo´...

 

Para medir o tamanho ´daquilo´...

Treze de agosto de 2018, hoje está fazendo um ano. A frustração do consumidor que - após encomendar na internet, e pagar por um aparelho que o tornaria “um amante imbatível” - recebeu uma enorme e maldosa lupa. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke. 

Charge de Gerson Kauer

“Quero comer filé”

 

“Quero comer filé”

Na audiência de uma ação de divórcio, a surpreendente mudança de decisão do homem: “Estou velho, não vou conseguir mais uma companheira como ela. Prefiro comer filé com os outros do que carne de pescoço sozinho”. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Charge de Gerson Kauer

A sátira embutida

 

A sátira embutida

Na oitava folha da apelação de 12 laudas, o advogado - inconformado com a superficialidade da prestação jurisdicional – digitou um recado: “Como somos tratados como pamonhas, é pertinente informar que uma gostosa receita da famosa iguaria oriunda do milho verde está disponível na internet”.

Charge de Gerson Kauer

Vá ler o CPC, doutora!

 

Vá ler o CPC, doutora!

“Após extravasamento verbal, o juiz jogou à mesa um exemplar do ´CPC Comentado´, com uma sugestão em altos decibéis: ´Leia o Código, Doutora´. Em gesto igual, devolvi-lhe o livro e retruquei no mesmo alto tom de voz: “Leia você o CPC e a CLT, pois quando você entrou na faculdade, eu já andava por aqui, há anos”. O texto é da advogada Bernadete Kurtz (OAB-RS nº 6.937).