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Edição de sexta-feira , 14 de dezembro de 2018.
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O dinheiro saia em mochilas



Charge Jornal Ação Popular

Imagem da Matéria

A operação Lava Jato trouxe à tona uma realidade desconhecida. O dinheiro utilizado na corrupção circulava em malas. Malas do Geddel, mala atribuída ao Temer, malas em avião diplomático, etc.

Há uma razão para isso: o rastro que o dinheiro depositado em instituições financeiras deixa pelo emprego da informática.

Além disso, o apetite por ´aquilo que não é seu´, aumentou muito. Os valores em todos os episódios são enormes.

Estamos perplexos pelo conteúdo do relatório da Comissão do Conselho Deliberativo do Internacional que analisou as rotinas financeiras da gestão Piffero. Não esqueçamos que ainda está em curso a investigação sob a responsabilidade do Ministério Público.

Talvez hoje haja uma maior compreensão da nossa resistência à reforma do Estádio Beira-Rio com recursos próprios e a minha imposição para que, à época, os candidatos apresentassem as negativas judiciais.

A chapa Vitório Piffero, embora não apoiada pelo movimento político do qual o ex-presidente F. Carvalho é presidente de honra, teve o seu expresso apoio.

Lembro bem da noite em que, na saída da reunião do Conselho - quando eu disputava a indicação para disputar a presidência – houve uma entrevista concedida por ilustre apoiador da chapa Piffero. Ao ser indagado acerca da proposta de ´ficha limpa´, referiu: “Há uma candidatura que tem como único propósito tumultuar o processo eleitoral”.

Venceu a chapa Piffero que, além de tudo obteve o apoio do movimento Convergência Colorada, um dos mais críticos defensores da idoneidade administrativa. Colocou na chapa vice eleito, na gestão vários vices e diretores e um de seus líderes assumiu o papel de zelar pela transparência de todos os atos.

Deu no que deu, dentro e fora do campo.

Segundo o relatório a dinheirama era retirada na boca do caixa e transportada em mochilas. Saques que alcançavam milhões de reais. A nota fiscal, sem o respectivo contrato, quando apresentada posteriormente, presta-se para efetivas desconfianças em razão da origem. Há alusão a empresas inexistentes, inoperantes ou com titulares que jamais exploraram a atividade econômica geradora do débito.

Segundo o relatório aproximadamente R$ 10 milhões foram objeto dessa operação. Pelo que sei e conheço, essa é apenas a ponta do iceberg.

Há uma caixa preta, indevassável e que lida com valores inimagináveis que é o futebol. Sei o quanto é difícil investigar, pois ensejaria que eventuais beneficiados abram a boca. Mas, como não somos surdos, basta seguir os sussurros pronunciados nos corredores do Beira-Rio.

Aliás, deveriam ser bem mais amplas no tempo envolvido.

Para temperar o desprezo à idoneidade, foram apontadas gastanças em jantares, em bebidas, em viagens, etc.

Sempre que esses fatos são detectados nos clubes de futebol, imediatamente, sob o falso manto da pacificação, entram em campo os bombeiros. Afirmações que tentam mitigar a gravidade do ocorrido. Em entrevista de agora, Piffero declara que é uma bobagem a apresentação de notas fiscais para a comprovação de despesas. Não faz muito tempo o F. Carvalho declarou à imprensa, em um verdadeiro “carteiraço”, que tem certeza da inocência do seu pupilo e que tudo será esclarecido.

A lógica é essa, na perspectiva de bons resultados eleitorais, prega-se a unificação, empurrando a sujeira para baixo do tapete. Não há conquista de títulos que, ao meu juízo, transforme um clube da grandeza do Internacional em quintal da casa de alguém.

Há críticas severas ao vazamento para a imprensa do conteúdo do relatório. Também acho desrespeitoso tornar público algo que sequer os conselheiros têm conhecimento. Entretanto, percebo que o inadequado vazamento, poderá abortar os acertos de cúpula.

Defendo a aplicação das normas internas que induzem à adoção medidas de recuperação dos valores e na expulsão dos responsáveis do quadro social.

Pela segunda vez nesse espaço, considerando todas as prerrogativas do Ministério Público, único guarnecido pelos poderes que lhes são concedidos pela legislação, clamo a investigação das transações com investidores, empresários e jogadores de futebol.

É preciso avançar para que encontremos as exatas dimensões do iceberg.


Comentários

Edilson Ivanir Dos Reis Leal - Industriário (rec.hum.) 28.09.18 | 11:03:18
JUSTIÇA!
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